Matemática dos de baixo

Na matemática do operário
Aquele, em construção
Descobri que o meu suor diário
Que nem otário
Pagando de mais um, peão
Acaba no liquidificador humano
Do busão
Ou do metrô
E respinga do ar condicionado
Por mim instalado
Na sala de reunião,
Onde o patrão tá no sossego
Achando, meu nego
Que casa brota do chão.
Não brota não!
Cada parede, cada janela
Cada vassoura, pia ou panela
Onde limpa e cozinha ela
(Porque só ela?)
Saiu da mão do operário
E da operária
Que respira, transpira, conspira e pira,
E pensa,
Que não quer mais só arroz e feijão na mesa
Quer liberdade, dignidade
Ir e vir pela cidade
Sem ficar na saudade
Por conta de tarifa ou catraca
Chega de discurso de babaca!
Quem trampa saca
Que a mão é a arma da PM
E o pé, a roda do patrão
E que na matemática do operário
Aquele, em construção, que tem salário
De fome
O X da questão nunca se move
Pro lado de baixo
A não ser quando é nove
Número de capacho
De Zé Ruela
Daqueles que nunca entrou numa favela
Tocou numa panela, ajudou ela
Ou foi capaz de no trabalho
Abrir a janela e gritar:
Não!
Cansei de ser otário
Meu nome é Mário, sou operário
Agora em revolução
– Te cuida, patrão.

(Rio de Janeiro, 05/11/2013)

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2 Respostas para “Matemática dos de baixo

  1. Que lindo! Podemos publicar?

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