E pur si muove

Viu o vento bater nos ramos, estes a balançar. Um exército de braços, mãos ao alto, em assalto metereológico flagrante e cotidiano. Levantou também os braços, como antenas voltadas para o universo, aguardando alguma mensagem de além-Terra.

Não veio mensagem nenhuma, só uma dor muscular chatinha de quem precisa mais exercício, como as árvores ao vento, quebrar galhos fracos, fortalecer o todo. Baixou os braços e o corpo, pegou uma pedra e atirou no lago. Viu a água a se esticar em pequenas ondas concêntricas, a tocar a margem suavemente. Olhou para o céu e lá se iam as nuvens. Por todo lado, o que via era movimento, troca, encontro.

Então olhou para o horizonte e resolveu ir em direção ao pôr do Sol, que sem ele nem vento, nem árvore, nem água e nem nuvem. Tomou a estrada e foi, sem se importar com o chegar ou não, o queimar ou não ao calor, o voltar ou não à Terra dos mortos, dos sem movimento e dos vazios que a gente arranja por aí.

Precisava mais exercício. Como as árvores ao vento. E o ciclo da água.

Foi se encontrar.

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