Não existe racismo no Brasil

Ontem, tomei um ônibus na avenida Ipiranga, em frente ao famoso edifício Copan, em direção ao cruzamento das avenidas Rebouças e Henrique Schaumann.

Estava indo do emprego que tenho de manhã para o que tenho à tarde.

Como de costume, escutava música com o fone de ouvido. O ônibus estava cheio e, assim que passei a catraca, encostei ao lado do cobrador, na porta que não iria abrir até o ponto em que eu desceria.

Uns dois pontos depois, percebi uma certa agitação que os fones de ouvido faziam ser silenciosa. Tirei-os para tentar entender.

Na parte da frente do ônibus, havia um senhor de idade, negro, pobre, com as roupas sujas de tinta, sentado em um dos bancos reservados para gente justamente como ele – de idade. O lugar ao seu lado estava vazio.

Então, uma senhora, branca, também pobre – já que andava de ônibus -, tomou o ônibus procurando por um lugar vazio. A um metro do banco, parou. Olhou para o senhor com espanto e virou as costas, reclamando que era um absurdo ter que sentar “com esse tipo de gente”.

Mais à frente, em outro banco reservado, mas daqueles pra acompanhantes de pessoas em cadeiras de rodas, uma mulher estava sentada. Ela assistia à cena, assim como o cobrador, eu e outro rapaz que acabara de passar a catraca.

A senhora branca virou para essa mulher e disse:

– Minha filha, me deixe sentar aí.

A mulher respondeu:

– Não. Tem um lugar livre do lado daquele senhor, a senhora que sente lá.

O conflito, ao contrário de inúmeros dos casos semelhantes de racismo no Brasil, estava posto, escancarado.

A senhora branca foi resmungando até a frente do ônibus, ao que parece, falar com o motorista. Perto da catraca, eu, o cobrador e a mulher lamentávamos com a cabeça ter que presenciar esse tipo de atitude.

Olhei para o senhor negro. Seu olhar, que antes já era de constangimento – afinal, ele era negro, pobre e ainda por cima com roupas sujas, quase um crime, uma ofensa ao mundo -, agora misturava um certo temor por uma confusão na qual ele não queria estar, e sobre a qual ele não proferiu uma palavra sequer. Estava apenas sentado no ônibus, exercendo nada mais que um direito.

A mulher que enfrentara a senhora branca, então, levantou-se.

Foi sentar ao lado dele, cumprimentando-o.

Não vi se foram conversando durante a viagem, pois tive que descer logo adiante. Mas aquele pequeno ato de solidariedade me deixou comovido.

Dias atrás, li um artigo de um desses acadêmicos que a mídia compra pra defender suas posições. Ele dizia que a política de cotas nas universidades ia contra o próprio texto da Constituição brasileira, e que o racismo não existe no Brasil.

Hoje, percebo que sou obrigado a concordar. Não existe racismo no Brasil. Seria muito melhor se existisse.

Porque haveria confronto, ao invés desse apartheid silencioso, escondido nos pequenos gestos que revelam um costume secular de discriminação aos pobres e aos negros – e, principalmente, aos negros pobres.

Quanto não se descobre ao tirar o fone de ouvido; imaginem então se todo mundo resolvesse tirar os tapa-olhos feitos de papel jornal que estamos (mal) acostumados a usar…

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44 Respostas para “Não existe racismo no Brasil

  1. Você conseguiu fotografar com palavras e sentimentos um dos grandes momentos, que se repete no dia a dia, em que as pessoas se esquecem que ser diferente é o normal. Tomei a liberdade de repassar a todos da minha lista, como matéria para reflexão. Beijos e parabéns, pois você se supera a cada novo texto.

  2. te amo e fico pensando onde foi que seu pai e eu acertamos…tá certo que a gente erra em muita coisa na criação dos filhos, mas é muito bom ver que um filho tem olhos e coração sensíveis, e que vc, de algum jeito, contribuiu prá isso…mais do que bem escritos, seus textos são cada vez mais bem sentidos…beijos…célia

  3. RACISMO EXISTE SIM….NÃO SÓ POR PARTE DOS BRANCOS EM RELAÇÃO AOS NEGROS, COMO TAMBÉM POT PSRTE DOS NEGROS EM RELAÇÃO AOS BRANCOS.
    É UM FATOR QUE NUNCA ACABARÁ. TAMBÉM JÁ PARTICIPEI DE UM MOMENTO SEMELHANTE. ESTAVA EU NO METRÔ E, COMO TODOS SABEM EXISTEM LUGARES RESERVADOS PARA IDOSOS, DEFICIENTES, GESTANTES E PESSOAS COM CRIANÇAS NO COLO.
    POIS BEM, ENTREI NO VAGÃO E ESTAVA ENCOSTADO NUM CANTO UM SENHOR NEGRO, COM IDADE JÁ BASTANTE AVANÇADA E NOS LUGARES RESERVADOS, DUAS MOÇAS BRANCAS ACOMODADAS E SEM DAR A MÍNIMA PARA ESTE SENHOR.
    QUANDO VI, DIRIGI-ME AS DUAS E SIMPLESMENTE DISSE-LHES: PODEM ME DAR LICENÇA? UMA OLHOS PARA A OUTRA E COM CARA DE POUCOS AMIGOS LEVANTOU-SE UMA SÓ. EU CHAMEI ESSE SENHOR E DISSE-LHE: POR FAVOR SENTE-SE QUE ESSE LUGAR É SEU POR DIREITO.
    O HOMEM FICOU CONSTRANGIDO MAS SORRIU PRA MIM E SENTOU-SE. A OUTRA MOÇA EU PEDI DA MESMA FORMA, OU SEJA, COM LICENÇA?
    TAMBÉM COM CARA DE POUCOPS AMIGOS LEVANTOU-SE E SENTEI.
    SE EXISTEM NORMAS, É PARA SEREM RESPEITADAS.
    QUANDO DESCEMOS NA ESTAÇÃO SÉ, ESSE SENHOR AGRADECEU E DISSE QUE FICOU COM VERGONHA DE PEDIR SEU LUGAR.
    ISSO TAMBÉM EXISTE NOS ÔNIBUS, ONDE EXISTEM LUGARES MARCADOS, COM ENCOSTO DE CABEÇA AMARELO, IDENTIFICANDO OS LUGARES RESERVADOS.
    EU USO DO MEU DIREITO, CRIADO POR LEI.
    POR OUTRO LADO, TAMBÉM HÁ PRECONCEITO DOS NEGROS COM RELAÇÃO AOS BRANCOS.
    QUANTGOS JÁ VIRAM NEGROS VESTIDOS COM CAMISETAS DA COR PRETA , ESCRITO: 100% NEGRO. NADA ACONTECE.
    TENTE USAR UMA CAMISETA BRANCA, ESCRITO 100% BRANCO. SABE O QUE ACONTECE? VOCÊ VAI PARA A DELEGACIA E RESPONDER PÓR CRIME DE RACISMO.
    NO LARGO DO PAIÇANDU HÁ UMA IGREJA ONDE SÓ ENTRAM NEGROS, OS BRANCOS NÃO SÃO BEM RECEBIDOS.
    HÁ OU NÃO RACISMO DE AMBAS AS PARTES?

    • Alvim, não que não existe o preconceito do lado inverso, mas o caso das camisetas não se aplica.
      Uma camisa “100% branco” está historicamente ligada aos movimentos que pregam a superioridade branca. Uma camisa “100% negro” não tem essa conotação; ao contrário, ela é uma expressão das pessoas negras de que, ao contrário do que o mundo diz, que ser negro é feio, é errado, é ser inferior, elas tem orgulho de ser totalmente negras. Ou seja, é uma resposta a uma agressão anterior.

      Nunca vi um negro defendendo um mundo sem brancos. Não duvido que possa existir, mas nunca vi. O movimento negro sempre lutou por igualdade racial, enquanto um “movimento branco” seria ridículo até de se pensar. De um lado está uma atitude de ódio e discriminação, de outro uma atitude de resistência.

      E obrigado pelo comentário.

  4. Antes de qualquer coisa, sou contra racismo e não estou dizendo que não há racismo no Brasil… Mas não posso deixar de fazer este comentários…
    Em algum momento a senhora mencionou o fato do senhor ser negro? E se ele fosse branco, pobre e sujo? E se fosse somente sujo? A reação teria sido a mesma? Por que logo concluímos que ela não quis se sentar ao lado dele porque ele era negro?
    Isso me faz lembrar de uma reportagem do SBT que tentava mostrar o racismo no Brasil. Eles colocaram duas pessoas na rua à espera de um taxi. Um negro, mal vestido, de capuz, e um branco, de terno. Os taxis paravam para o branco… Fica a pergunta… Eles paravam para o branco ou para o homem de terno? Eles deixavam de parar para o negro ou para o homem mal vestido de capuz?
    Eu não sei se existe racismo no Brasil. Pra falar a verdade eu acredito que exista sim. Mas tanto no caso do senhor negro no ônibus, como na reportagem do SBT, eu vejo uma tentativa de caracterizar como racismo uma situação que pode ter outro significado…

    • Paulo,

      você não foi o primeiro a fazer essa ponderação. Mas infelizmente, no caso, o problema era a cor da pele do senhor sim. Ele não estava sujo, fedendo ou todo cagado, tinha apenas as roupas sujas de tinta, manchadas, velhas. O comentário e a atitude da senhora foi nítida. Talvez pela minha narrativa não dê pra perceber, mas todos os presentes tiveram a mesma reação. Mesmo que fosse pelo fato do senhor ser apenas pobre e/ou mal-vestido, o sentido do texto permanece: a discriminação, o preconceito contra o pobre. Não existe racismo no Brasil. Racismo seria melhor do que esse tipo de ação e atitude dissimuladas.

  5. Devo concordar que poderia ter acontecido o que o Paulo ponderou.

    Mas convenhamos, em geral, se a pessoa é preconceituosa a ponto de não se sentar ao lado de um senhor só porque suas roupas são sujas, dificilmente ela não será racista…

  6. Pingback: SOLOMON » Não existe racismo no Brasil

  7. Olha o racismo no ônibus americano. Com final inusitado:

  8. Meus parabens vão para a Celia, que nao criou um racista, pois o racismo começa em casa.
    uma boa educação aliada à sensibilidade de quem tem coragem de tirar o fone de ouvido nas horas críticas, podem mudar um país!

    Bjs

  9. Não sei se vc já ouviu falar do “mito da democracia racial no Brasil”?
    Gostei muito do seu texto até o momento q vc diz que não há racismo no Brasil e argumenta que se houvesse as coisas seriam diferentes.
    Racismo não é traduzido como um sintoma de violência direta ou ações físicas, o racismo se expressa em muitos lugares do mundo de forma silenciosa, por tanto não é “exclusividade” do povo brasileiro, viu?
    Mas mesmo assim obrigado pelo seu testemunho, achei muito legal.

    • Leonardo,

      a idéia que eu quis colocar é que não existe racismo no Brasil porque racismo é uma atitude declarada de ódio à outra raça, à outra etnia (já que biologicamente raça não existe). O que existe é algo pior, é um preconceito dissimulado, é um “não sou racista, só não gosto de sentar perto de gente negra”, uma tentativa de dissimular um comportamento preconceituoso como se ele não existisse pelo fato do ódio racial não ser assumido como uma postura ou uma ideologia. Então, nesse sentido o racismo não existe mesmo no Brasil, e seria melhor que existisse. Porque pra superar um problema, um câncer como esse, o primeiro passo é assumir que ele existe. Enquanto esses acadêmicos comprados continuarem fabricando esse consenso forçado de que somos um país miscigenado multi-racial em que todos se dão muito bem independentemente de cor da pele, a perpetuação de atos como o dessa senhora será contínua. Se o conflito fosse colocado, se o racismo fosse algo ideologicamente assumido, sua superação também estaria colocada como possibilidade futura. Não que eu torça pra que de repente as pessoas comecem a pregar ódio racial, mas enquanto não se assumir que esse tipo de preconceito dissimulado também é racismo, então não temos racismo no Brasil e não caminhamos pra superar essa merda.

  10. Pode ser que ela só estivesse falando das roupas sujas???

  11. OU, cê sumiu do tuiter, do msn… qualé rapaz? Dá sinal de fumaça ai!

  12. Eu não sei se existe racismo ou não e também não pode dizer se existe ou não, mas preconceito é claro que existe e isso se aplica as cotas, que eu acho que é uma coisa ridícula e para mim as cotas é um tipo de preconceito que vai para os brancos e para os negros, pois quantas pessoas pobres e que são brancas a gente já não viu e quantas pessoas ricas e negras a gente já não viu, então para mim não deveria de existir a cota e eu sinceramente não sei se existe ou não o racismo no Brasil.

  13. A atitude dessa senhora foi RIDÍCULA e pelo que você fala da ate para imaginar.

  14. Eu sou negra, e posso afirmar que existe sim, racismo no Brasil, eu vejo o racismo na expressão de surpresa na cara das pessoas quando ficam sabendo do meu poder econômico, sempre esperam que a negra seja pobre ou no máximo classe-média… quando eu tinha blog, recebi um comentário racista, a pessoa não se conformava em ver uma pessoa que se formou na Inglaterra e tinha acesso à viagens, artigos de luxo e etc.
    Obrigada pelo post, nós brasileiros precisamos debater ees assunto.

  15. Alvim… Que otimo ter tido a oportunidade de ler o seu comentario… as vezes nos sentimos tao sozinhos em nossos ideiais que qdo nos deparamos com aliados tao tenros, isso nos traz uma força imensa para alimentar nossas esperanças…
    grande abraço… que Deus te de oportunidades mil de levar a sua luz a todos qto puderem comprartilhar suas vidas com vc…

  16. “senhor de idade, negro, pobre, com as roupas sujas de tinta”

    Assumo que pela descrição ele acabou de sair do trabalho e que possívelmente estivesse exalando cheiro de suor, característico do esforço físico da pintura.

    Considerando isso te pergunto: É comum uma pesso arrumada não querer sentar do lado de outra suja?

    Sei lá, fiquei com essa dúvida.

  17. Antes de mais nada, parabéns pelo texto. Não apenas muito bem escrito como recheado de conteúdo. Não é todo dia em muito menos em todo blog que se têm a oportunidade de ler boas perspectivas e posicionamentos.
    Gostaria de expressar minha opinão, parcialmente divergente e parcialmente de acordo com as colocadas, tanto no post quanto nos comentários.
    Primeiramente, estou entre os que são contrários à política de cotas – não apenas porque é contrário a constituição, mas acima de tudo por que é o reconhecimento da diferença.
    Sou completamente contra o racismo de qualquer espécie – seja pela cor da pele, seja pela liberdade de culto, seja pela condição social – e acredito que estabelecer cotas para a colocação de membros de qualquer segmento simplesmente NÃO é a solução.
    A solução para os problemas brasileiros, como sempre, é o investimento massivo em educação e, dentro desta, o estabelecimento dois principios: 1) igualdade de oportunidades iniciais ; e 2) critérios de meritocracia. O primeiro garante que todos tenham chances equivalentes de acesso à educação DESDE O INÍCIO e o segundo representa a justiça de valorizar os que mais se destacarem e dedicarem.
    Tal sistema não é suportado pelo capitalismo em si – que por natureza promove a desigualdade – mas sim pela DEMOCRACIA.
    E é a democracia – a que o capitalismo também deve se manter subjulgado – que prega a igualdade de direitos dos seres humanos – independentemente de seus segmentos sociais.
    E por fim, não vejo o preconceito no Brasil como uma relação Brancos x Negros, mas sim entre Ricos x Pobres (aí sim, muito forte). Infelizmente as estatísticas se confundem – a grande maioria da população pobre é “negra’ (na verdade, mulata, mestiça, etc) e isso causa a distorção e fundamenta movimentos OPORTUNISTAS de defesa dos direitos dos negros.
    Perguntem-se: quais seriam barrados ao tentar entrar em restaurantes de “alta classe”? A) Um Branco rico e bem arrumado; B) Um Negro rico e bem arrumado; C) um Branco pobre e mal arrumado; e D) um Negro pobre e mal arrumado?
    Acredito que, em grande maioria, as opções C e D. Que as outras podem ocorrer, podem – e seriam casos de racismo Branco x Negro – mas no Brasil, vejo como muito mais comum que os pobres sejam discriminados – essa sim um herança histórica que cabe a nós reavaliar e mudar através de nossas consciências – individuais e coletivas.
    A conscientização e, para alcançá-la e estendê-la – a educação – são a solução para o racismo.

    • Luiz, negar a diferença é o primeiro passo pra mascarar o racismo, ou pra fingir que ele não existe. Existe sim, está enraizado em nossa cultura e se manifesta a todo tempo e todo lado.

      Você tem certa razão ao reivindicar a mudança do foco do conflito para pobre x rico ao invés de negro x branco. Só que um conflito não apaga o outro e deixar a centralidade em um é deixar o outro “de lado”. E aí, enquanto não se resolve “o principal”, quem sofre com o “secundário” continua sendo oprimido. As cotas vão nesse sentido: há uma defasagem histórica entre negros e brancos no acesso à educação superior no Brasil, e a medida – que não é solução, é medida apenas – tenta remediar isso um pouco. Além de que o Estado nunca iria admitir o conflito pobre x rico – ele existe pra amaciar esse conflito, deixá-lo quietinho no canto, porque se ele vier à tona o Estado cai.

      Democracia real, direta, passa por cima do capitalismo. Não existe e não existira democracia dentro do capitalismo que resolva esses conflitos. Mas isso não quer dizer que medidas pra diminuir a injustiça social – e racial – devam ser tomadas.

  18. Pena que vc esqueceu do preconceito contra pobres ou usuários de ônibus.

    Ando de ônibus todo dia. Tenho um bom carro na garagem, mas em nome do bem comum prefiro andar de ônibus. Perco 30 mins a mais por dia dentro do ônibus, mas fico satisfeito em fazer alguma coisa pela cidade.

    Portanto a senhora pode até ser pobre, mas não por estar andando de ônibus.

    No mais, parabéns pelo ótimo texto, e pela colocação importantíssima sobre o preconceito no Brasil.

    • Fábio, meu texto era especificamente sobre o racismo, então eu não “esqueci” os pobres e usuários de ônibus. Posso ter afirmado que a senhora era pobre sem saber, afinal, não questionei-a quanto a isso, mas ela não aparentava ser, como você e eu (não tenho carro e nem carta, e nem pretendo ter), alguém que usa ônibus por opção. O texto, no entanto, não era sobre isso.

      No mais, você tem razão sobre ela possivelmente não ser pobre, afinal o ônibus é cada vez mais caro no Brasil e, consequentemente, quem o utiliza cada vez menos são os pobres, os que realmente precisam dele. E aí entra um outro assunto importantíssimo que é o questionamento sobre o que de fato é público no Brasil. O transporte coletivo, tenho certeza, não é.

  19. artigo legal de um professor da usp sobre isso, apesar de eu nao concordar em muitos pontos:
    http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/EdicaoNoticiaIntegra.asp?id_artigo=7378

  20. e haja tapa-olhos.

  21. Triste é saber que há quem ache que um conflito declarado, e certamente violento, seria melhor do que a situação atual.

    Antes que me ataquem, deixo claro que repudio o comportamento de tal senhora e quaisquer atos semelhantes. Não estou defendendo-a, apenas não engulo que um confilo aberto possa ser melhor.

    Tente imaginar o que teria acontecido se estivessemos nesta situação, segundo você, “melhor”. A senhora em vez de recusar-se a sentar do lado do senhor, deixando-o lá e indo a procura de outro assento, iria querer que ele deixasse o lugar que estava para que ela se sentasse sozinha. E o pior, com uma chance grande de ter o apoio de outros passageiros “brancos” do ônibus. Realmente, seria um mundo bem melhor. Uma situação bem mais fácil de ser resolvida.

    Podemos tomar como exemplo os vários lugares do mundo que tiveram conflitos violentos entre etnias e conseguiram superar estando atualmente bem melhor que o Brasil neste assunto, como por exemplo… hummm… ééé… deixe-me ver…

    • Um conflito aberto, embora possa se tornar violento, caminha para algum lugar. Um conflito velado e negado continua sempre na mesma. Escondamos nosso racismo pra sempre, então. Afinal, “pelo menos” todos os brancos do ônibus “deixaram” ele pegar o ônibus, não é mesmo?

  22. Mesmo deixando explícito no meu comentário anterior que repudio tal comportamento, me acusa de concordar com a situação? Não venha distorcer meu argumento. Claro que a situação é lamentável. Claro que devemos agir contra qualquer tipo de preconceito, principalmente o racismo.

    Devemos ir sempre um passo adiante, mas ao crer que um conflito aberto seria melhor, na verdade, estamos dando um passo para trás.

    Qual seria a medida a ser tomada num caso de conflito aberto que conseguiria pular direto para a ausência de preconceito e racismo sem passar pelo preconceito velado? Os Estados Unidos conseguiram? A África do Sul?

    Óbvio que o conflito aberto traria algumas “vantagens” para integrar o “negro” na sociedade. Nesse cenário é muito mais fácil aprovar leis de recorte garantindo alguns diretos que hoje são negados. Mas integração, principalmente na base de leis, não é sinônimo de fim da discriminação e do racismo. Uma situação dessa seria muito pior na questão racismo, pois esse seria muito mais forte, mesmo que para outras questões possa ser relativamente boa.

    • Não te acusei de nada disso. Quem está interpretando distorcidamente é você, pegando um caso específico, que foi esse do ônibus, e usando ele pra dizer que o conflito é indesejável e piora as coisas. Você pergunta se EUA e África do Sul conseguiram alguma coisa com o conflito. A resposta é: sim. De países com segregação racial explícita, se tornaram países com direitos raciais reconhecidos e monitorados pelo mundo inteiro o tempo todo. Enquanto isso, o mesmo mundo vê o Brasil como “um país multirracial”, “um povo cordial” (obrigado Darcy Ribeiro e família Buarque de Holanda por isso, pra não citar muitos). Nos EUA, as cotas não são questionadas, porque é explícito e reconhecido o prejuízo que a escravidão e a segregação trouxeram àqueles que descendem de povos africanos. No Brasil… bem, Demétrio Magnoli, não é mesmo?

      Agora, superar o racismo? Ninguém conseguiu mesmo. Se formos esperar um exemplo de superação pra seguir ou apontar, ficaremos sentandos no mesmo ônibus da senhora descrita neste caso pra sempre. Então, ao invés de interpretar que o que eu gostaria é que negros e brancos se matassem, você poderia ter feito um esforcinho pra ler o que eu escrevi como o que eu escrevi: assumindo-se o conflito – e ele existe, não é por estar mascarado que não exista – dá-se um passo à frente para superá-lo. Assumir o conflito não é declarar guerra e montar partidos raciais separatistas, é simplesmente encarar o problema. E mesmo encarando-o, assumindo-o, pode colocar séculos aí, quiçá milênios, para uma sociedade onde não exista discriminação e preconceito. Se é que ela virá a existir um dia.

  23. Eu li exatamente o que você escreveu. Leiamos novamente.

    “a idéia que eu quis colocar é que não existe racismo no Brasil porque racismo é uma atitude declarada de ódio à outra raça […] Então, nesse sentido o racismo não existe mesmo no Brasil, e seria melhor que existisse”.

    No trecho acima você não disse que “uma atitude declarada de ódio” seria melhor que “um preconceito dissimulado”?

    Vejamos outro trecho – “Um conflito aberto, embora possa se tornar violento, caminha para algum lugar. Um conflito velado e negado continua sempre na mesma.”

    Se tem algo que poderia me acusar é de interpretar literalmente e não distorcidamente. outra coisa, não foi o caso do ônibus que me fez concluir que um conflito é indesejável e piora as coisa.

    Quanto aos exemplos dos Estados Unidos e da África do Sul, você acredita mesmo que com as leis atuais e o fim do apartheid não exista mais segregação explícita? Que há “direitos raciais” (seja lá o que isso signifique)? O que não há mais é uma segregação institucionalizada.

    Se nenhum país que teve conflito aberto conseguiu superar o racismo, continuando inclusive mais racistas que o Brasil, então por que devemos seguir tais exemplos? Por que não tentar alternativas diferentes, aproveitando que podemos partir de uma situação inicial diferente? É um erro achar que seria melhor se reproduzíssemos a mesma situação inicial, pior que a que temos, para que daí possamos imitar o que foi feito, sendo que no fim seria muito provável que chegaríamos a um ponto que sequer é melhor do que estamos.

    • Mas quem foi que falou em voltar pra algum lugar? Assumir que há o conflito não é, de novo, criar partidos racialistas de ódio. Estes, se tivessem existido no passado, com certeza não teriam nos levado hoje à superação do racismo, mas também com certeza não nos deixariam hoje com essa herança falsa de interracialidade. Ninguém falou em reproduzir uma situação que já existiu em outro país, e sim em usá-la de exemplo comparativo sobre até onde caminhou a questão nos países onde isso aconteceu e até onde caminhou a questão aqui. Não se está defendendo imitar nada, pra dizer a verdade quem começou essa comparação foi você, eu só dei o exemplo de como nos países citados a questão andou muito mais do que aqui – o que não significa que estejam próximos a superá-la, só significa que lá o problema não tem como ser negado como aqui. Não vai ter nenhum acadêmico comprado pela mídia lá dizendo que racismo não existe e que cotas é estabelecer o racismo oficial. Quer dizer, não sei se dá pra afirmar isso, porque a mídia americana fabrica cada uma que dá até inveja na Veja aqui.

      Então, se eu defendo que o conflito seja assumido, é porque assumindo-o assumimos o problema, e esse é o primeiro passo pra andar pra algum lugar. Quando digo que seria melhor que o racismo existisse estou dizendo isso, que seria melhor que o assumíssemos, ou seja, que admitamos que pra existir racismo não precisa necessariamente existir ódio racial, como se defende pelas TVs e jornais por aí.

  24. Cara, que bobagem que vc escreveu. Quem garante que a senhora branca não se sentou ao lado do cara por causa da cor e não por causa do possível mau cheiro ou da roupa suja?

    Pq vc levou isso para o lado do preconceito, do racismo?

    Aliás, a palavra RACISMO não existe mesmo. Tanto negro quanto branco pertence à mesma RAÇA, a HUMANA.

    E, na minha opinião, o maior preconceito existente no nosso país é com relação à classe social do cidadão e não à cor da pele.

    Mas talvez, para alguns racistas ou falsos moralistas, seja mais fácil “achar” que tudo é racismo.

  25. bem. no Brasil existe racismo sim e, de fato sempre existirá isso devido a escravidão e pelos negros sempre se sentirem como coitados…será que os Judeus são uns coitados ainda e outros paovo que fora ao genocidio? eu penso que os negros também são racistas eu mesmo tenho uma vizinha que não gosta de mim e quando eu era criança ela falava que meu cabelos parecia de mulher só porque eu tinha uma franja. eu sou racista o a minha vizinha negra que é? até hoje ela não gosta de mim. isto te explica qualquer coisa ? eu que sou racista?

  26. se quiserem me adc no msn para debatermos esta ideia sobre racismo no Brasil me adc no msn :adriano.campello@hotmail.com ou me acompanhem “sigam” no twitter : adrianosiquera2
    eu gostei deste blog e do texto…se quiserem me adc no msn ou no twitter aceitarei com certeza para falarmos disso. teclo do rio de janeiro se quiserem adc me adc pra gente debater sobre isto.abraços.desculpe pelos erros é que vou sair

  27. Os brancos sempre têm a mesma desculpa de que os negros são tão racistas quanto os brancos.

    Nunca vi um negro demitindo um branco na empresa dele.

  28. Pingback: O que é preconceito? De Higienópolis a Danilo Gentili – pseudointelectual.com.br

  29. O pior q o racismo no Brasil ta camuflado. q e mto pior. mas infelizmente a realidade desse pais e essa’ ainda tem pessoas q tentam abafar essa realidade. principalmente quando e pessoas de classe mais baixa. tenho certeza se fosse um famoso q tivesse no lugar daquele senhor, a historia teria ido alem.
    gostei muito do texto. e meus parabens

  30. acho q enquanto existir essa coisa de “ele é negro tenho q o respeitar” a pessoa presta mais a atenção no fato da pessoa ser negra enquanto isso acontecer ainda avera racismo quando as pessoas passarem por um negro e não prestar a atenção nele ai eu concordo q não avera racismo.
    quando vc passa por um branco na rua vc não pensa a mesma coisa q vc pensa quando é um negro

  31. Atenção moderadores, já tem algumas semanas atrás que eu estava em outra pagina quando vi um relato do autor que assina como Catarina e por achar muito estranho essa assinatura com sobrenome, fiz buscas e encontrei postagens da pessoa se desculpando e culpando outras pessoas, se gloriando e massacrando o suposto culpado. O que me chama mais atenção é que num desses blogs a mesma afirmou que o autor é uma culpada, sexo feminino. diferente de outros blogs. Resolvi fazer buscas com esse nome e existe algumas paginas com comentários e outras sem comentários mas a mesma sempre aparece para dar explicações. Sou de uma certa área policial, fiquei incomodado e fiz uma busca diferente. Me desculpem todos mas a pessoa existe sim e tem muitas ocorrências feitas por ela e contra ela. Eu só queria pedir ao blog que não publique mais comentários com essa autoria porque é ruim para o blog também. E sinceramente uma pessoa que nada deve como pode se incomodar desse jeito, voltar para se explicar sabendo que tem tantas ocorrências reais em seu nome? Gente boa não precisa entrar na delegacia para resolver confusões. Aproveito para dizer aos internautas que isso aqui não é atestado de honestidade de ninguém, não adianta o trabalhador entrar na delegacia varias vezes para prestar queixas por confusões, ter problema com o vizinho e depois vir aqui na rede social e atestar a própria honra com palavras bonitas. Não aceitem mais esses comentários e isso vale para todos os sites onde a suposta pessoa fala desse nome que coloquei, o mesmo pertence a alguém envolvido em confusões. Att, Pereira

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