De volta à Grécia

As últimas da Grécia.

[Grécia] Apesar da aparente trégua, os protestos continuam

Nesta terça-feira (23), milhares de estudantes e ocupantes de entidades universitárias saíram às ruas de Atenas, na terceira semana de protestos. No início da manifestação, em frente à reitoria da Universidade de Atenas, manifestantes tombaram um carro da polícia. Perto do Parlamento, os manifestantes atearam fogo em uma máscara que representava a cabeça de um porco, com um chapéu policial, gritando palavras de ordem como “policiais, porcos, assassinos” e “abaixo o governo do novo terrorismo”, muitos empunhavam bandeiras pretas e vermelhas.

Na madrugada, um homem não-identificado atirou contra um ônibus que levava 19 policiais da brigadas antidistúrbios e estava parado no sinal vermelho, no bairro de Gudi, diante de um campus universitário. Duas balas atingiram o ônibus, furando um pneu, mas ninguém se feriu. A polícia investiga o caso. Manifestantes acreditam que tudo não passa de armação policial ou direitista para incriminar os universitários ocupantes.

No bairro de Nea Filadélfia (Atenas), uma passeata aconteceu no final da tarde, organizada pelo Centro Cultural Ocupado do bairro. Diversos lemas foram pichados nas paredes, janelas de bancos e algumas câmeras de vigilância foram quebradas. A marcha foi seguida por um numeroso contingente policial. Quando o protesto alcançou a delegacia local, mais policiais apareceram. Os manifestantes reagiram jogando tinta, pedras, ovos e laranjas contra as forças da ordem, que responderam com bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo. Os residentes e transeuntes do bairro pediam para os policiais irem embora do local. Após o protesto, os manifestantes organizaram uma assembléia para decidir mais ações.

Em Serres, uma faixa enorme foi erguida de noite na Acrópoles da cidade, em que estava escrito: “Não os deixe humilhá-los, resista!. Liberdade para todos os detidos já!”.

Ontem, em assembléia, os estudantes do ensino médio deram por encerrado o primeiro ciclo de protestos pela morte de Alexis a tiros pela polícia, a violência policial, contra o sistema de ensino, e contra os reduzidos fundos estatais para o setor, e decidiram retomar as manifestações no próximo dia 9 de janeiro.

Durante assembléia de ontem (23) e conversas sobre o futuro da ocupação da Universidade Politécnica, havia rumores que a Tropa de Choque poderia invadir e esvaziar o campus a qualquer instante. Embora os ocupantes já tivessem decidido acabar a ocupação, esta ameaça da polícia os fizeram mudar de idéia. Muitas pessoas chegaram à universidade para defendê-los, e apesar de que a polícia realizasse rondas em torno da universidade, não fizeram nenhum movimento mais brusco.

Na assembléia, os ocupantes explicaram que os policiais não irão tomar conta da universidade, e que a última palavra de quando a ocupação acabará será dos manifestantes. “Acabará quando os ocupantes decidirem e as ameaças dos policiais somente nos fazem mais fortes e mais zangados!”.

Já a assembléia dos ocupantes da Faculdade de Direito decidiu que a ocupação da escola acabou. Contudo, um número de ocupantes não concordou com a decisão e querem permanecer no edifício.

Novas assembléias vão acontecer hoje (24) para decidir se as ocupações, de quase 100 faculdades, continuam ou chegam ao fim.

O fim das ocupações dos departamentos universitários não quer dizer o fim dos protestos, mas o cansaço é inevitável e grande, depois de dias de mobilizações, atos, confrontos, pessoas presas, feridas…

Hoje (24) pela manhã, na cidade de Volos, uma rádio municipal e os escritórios do jornal  “Thessalia“, foram ocupados. Na rádio, ocupado por 30 minutos, foram lidos textos que pediam a libertação das pessoas presas durante os protestos.

Ontem (23), nessa mesma cidade, Volos, num teatro local, um espetáculo teatral foi interrompido, e em seguida sucedeu a leitura de cartas que reivindicavam a libertação de todos os detidos, sem cargas.

No bairro de Alimos, pela manhã de hoje (24), o Centro Cultual Municipal foi ocupado. O equipamento de som foi re-apropriado e lidas várias decisões da Iniciativa Cidadã do bairro: liberdade para todos os detidos; que se retirem as armas dos policiais; que retirem a lei antiterrorista.

Ainda hoje (24) acontecerá em Atenas manifestações de solidariedade com os prisioneiros em frente aos tribunais para pedir a libertação dos apreendidos. Há uma batalha para libertar os mais de 200 detidos, e esse número pode ser bem maior, já que é difícil obter números exatos sobre os detidos e presos em todo o país.

agência de notícias anarquistas-ana

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[Grécia] “Não haverá Natal neste ano, a Virgem Maria teve um aborto”

[Manifestação pela libertação dos presos e presas; fim as ocupações; bancos e lojas incendiadas; bomba à sede de partido de extrema direita. Esses fatos marcaram o 19º dia de protestos na Grécia, desde a morte do adolescente Alexis Grigoropoulos, no último dia 6, assassinado a tiros por um policial.]

Em Atenas, na véspera de Natal (24), milhares de pessoas participaram da passeata pela libertação e em solidariedade com todos os detidos e presos durante os protestos que aconteceram na Grécia desde a morte do jovem Alexis pela polícia, que provocou no país um dos tumultos mais sérios das últimas décadas. A manifestação foi pacífica e percorreu as ruas centrais e comerciais da capital.

Houve alguma tensão quando os manifestantes passaram em frente da Catedral de Atenas. Mas apenas aconteceram pichações nas colunas de mármore do edifício e lemas foram gritados contra a igreja e os sacerdotes. Um dos motes mais ecoados foi: “sacerdotes, ladrões, pedófilos”. Uma bandeira grega foi queimada.

Depois da agitação, os funcionários da catedral cancelaram uma atividade natalina que estava programada para acontecer.

“Não haverá Natal neste ano, a Virgem teve um aborto”, foi uma das frases mais pichadas ontem pelo centro de Atenas. 

As palavras de ordem gritadas durante o protesto foram muito originais e não só contra o Estado nem contra os policias, mas também contra o consumismo e esses que continuam fechando os seus olhos para os acontecimentos e foram fazer suas compras de natal, como nada tivesse acontecido.

Temendo uma investida dos manifestantes, a polícia de choque isolou o quarteirão central de Syntagma para proteger a árvore de Natal, a principal da capital, que substitui uma queimada por manifestantes há duas semanas. 

O protesto acabou sem muitos incidentes, apesar da forte presença das forças policiais gregas.  

Fotos: http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=955388

Presos e presas

As pessoas que foram detidas e agora estão em prisão, esperando julgamento (que pode durar vários meses), soltaram um comunicado ontem (24), que concluía: “Podem prender os nossos corpos, mas nossas mentes e espírito estão livres e lutando com os que estão fora”.

Fim as ocupações, mas a luta continua

Na Universidade Politécnica houve uma nova assembléia, depois da manifestação. A assembléia decidiu acabar a ocupação (mas não a luta) à meia-noite.

Os ocupantes da Universidade Econômica (ASOEE) também decidiram acabar a ocupação.

Ambas as ocupações (junto com a Faculdade de Direito) foram mantidas por 18 dias, e apesar dos ataques freqüentes dos policiais e da imprensa, teve uma parcela de participação muito grande nas revoltas.

Assembléias populares convocaram as pessoas a participarem da manifestação do dia 27, sábado, pela libertação das pessoas presas.

Mais ações

Em Ptolemaida, uma árvore de natal (como aconteceu em Loannina) foi decorada com fotos de Alexis e mensagens de protestos.

Fotos: http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=955106  

Na ponte de Gorgopotamos, uma faixa grande foi pendurada, com o escrito: “Ficar sentando no seu sofá é cumplicidade”.

Fotos: http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=955036

Sede do LAOS é atacada

Um grupo de anarquista chamado “Insurreição Incendiária Noturna”, assumiu a responsabilidade por um ataque à bomba contra uma sede do partido grego Aliança Popular Ortodoxa (LAOS), no subúrbio de Alimos, no litoral, durante as primeiras horas desta quinta-feira (25). O explosivo caseiro, feito com várias latas de gás, causou estragos na sede deste partido de extrema-direita, mas nenhuma pessoa ficou ferida.

Lojas, bancos e um edifício do governo incediados

Três concessionárias estrangeiras de automóveis, uma agência bancária e um edifício do governo foram incendiados na madrugada desta quinta-feira (25) em Atenas.

O primeiro ataque ocorreu contra a entrada de um banco no bairro Palio Faliro, zona sul da capital. Anarquistas explodiram uma bomba feita com um butijão de gás e destruíram parte da agência.

Duas horas depois, anarquistas atiraram latas de gás em três carros de uma concessionária da Citroën, no centro de Atenas.

Três carros da concessionária da Opel (marca da GM) também foram atingidos.  

agência de notícias anarquistas-ana

sans-papiers

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