Ato contra a morte de Nilton César de Jesus

(peço a todos que divulguem massivamente este chamado)

Domingo último, dia 07/12, deveria ter sido um dia de festa: um clube brasileiro pela primeira vez se tornava tricampeão nacional de forma consecutiva.

Mas o que deveria ser amplamente comemorado como o sucesso de uma nova fórmula de campeonato no Brasil acabou se transformando na repetição de algo que o país se “acostumou” a assistir desde há muito, algo que rememora os anos de chumbo da ditadura: o assassinato de um torcedor já rendido por um policial que, ao tentar abusar do poder pela sociedade nele investido com uma coronhada absolutamente desnecessária, atirou contra a cabeça da vítima.

O caso, como tantos outros, foi notícia por todos o país. Serviu, como sempre, pra chocar de uma forma paralisante. Quatro dias depois, Nilton César de Jesus, 26 anos, o torcedor baleado, faleceu no hospital no Distrito Federal, enquanto José Luiz Carvalho Barreto, o policial autor do disparo, recebeu o bônus do habeas corpus ao ser enquadrado por “lesão corporal grave”.

Qualquer um que viu o vídeo do tiro pode perceber que a imprudência do policial claramente qualificaria seu ato como “homicídio culposo”, ato sem a intenção de matar, mas que acabou matando. Mas a força política da corporação policial é grande, e o assassino está – e muito provavelmente continuará por longo tempo – solto.

O caso, infelizmente, não é único. No mesmo dia, outro torcedor foi morto a tiros na zona leste de São Paulo durante as comemorações do título. E tantos outros já morreram em tantos jogos pela história de nosso futebol.

A violência, entretanto, não é exclusiva do esporte, está em todo lado. Violência que começa quando a relação social mais comum entre duas pessoas é a de comando, de hierarquia, de força, algo que se transforma em risco de morte quando entram em ação armas de fogo.

No futebol, onde a aglomeração de pessoas por partida é enorme, tal violência se instaura com ainda mais facilidade quando se assiste uma elitização e uma militarização crescentes de tudo que envolve o jogo: torcida impedida de levar faixas, preços de alimentos e horários de jogos absurdos, polícia que humilha e trata o torcedor enquanto bandido. E que entra em campo e leva jogador preso, como se viu no Recife por mais de uma vez em 2008, e que atira em torcedor desarmado e já rendido, como Nilton. Isso sem falar que o comandante da arbitragem paulista é um coronel da polícia.

Na Itália, a morte do torcedor da Lazio Gabrielle Sandri, em episódio bastante parecido com este de Brasília, causou revolta nos torcedores de todas as equipes do calcio, inclusive da rival Roma. Jogos foram paralisados e adiados ante a ameaça de invasão do gramado por parte das torcidas, em ação de protesto pelo assassinato sem sentido. O caso levou tanto o poder público quanto a federação de futebol de lá a ao menos parar para repensar as relações de força.

Aqui, no país pentacampeão do mundo, já tivemos, enquanto torcedores, inúmeras possibilidades de agir da mesma forma, e as desperdiçamos. Pensando nisso é que o Autônomos FC, equipe amadora de futebol de várzea, convoca os torcedores de todas as equipes a comparecerem com suas respectivas camisas, bandeiras, faixas e cartazes de protesto a um ato em repúdio à violência policial e à militarização do futebol, domingo, 14/12, com concentração às 14h, saindo da frente do cemitério das Clínicas às 15h30 e partindo para a Praça Charles Miller, onde acontecerá uma partida de futebol espontânea e livre em protesto à tentativa de controle de nossos corpos e mentes nos estádios do país e em memória de Nilton e de todos os torcedores mortos de maneira estúpida pela corporação policial. Convidaremos a Polícia para um jogo amistoso na Praça. Já que eles entendem tanto de futebol a ponto de estarem em todas as camadas do jogo, vamos ver se conseguem nos derrotar na bola.

Futebol é um lugar de festa. E festa não combina com botas, fuzis e capacetes, nem com proibições arbitrárias como as que perpetram nos estádios paulistas. Vamos mostrar que para além de apaixonados por esta ou aquela equipe, os mesmos que sustentam todo o mercado do negócio futebol, somos torcedores, classe única, que não aceita a morte de um companheiro de boca fechada e braços cruzados.

Em nome de todos os torcedores que querem um futebol mais democrático,

Autônomos FC

http://autonomosfc.blogspot.com

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10 Respostas para “Ato contra a morte de Nilton César de Jesus

  1. Apoio a inciativa.
    faltou o horário.

  2. é isso ai rapaz, to dentro!

  3. Olá.
    Para todos que, como eu, já sofreram com atos desmedidos da polícia em jogos de futebol, isso era algo que aconteceria mais dia menos dia.
    O que fazer? Não sei. Quero ajudar. Mas como?
    Como mudar um sistema viciado, corrupto e ineficaz, para falar o mínimo do que representa para a população o tripé polícia, ministério público e magistratura?
    Apoio toda e qualquer ação para tentar mudar esse quadro e, dentro das minhas possibilidades, participo do que for.
    Minha sugestão é um jogo entre os campeões da série A e da série B, um clássico São Paulo x Corinthians, com os times principais, na praça dos 3 poderes, em frente ao gabinete do Presidente da República, com um time vestido de preto, em sinal de luto e protesto, e outro de branco, representando a esperança de dias melhores.
    Que tal?

  4. Ridicula essa Pm…affffffe…apoiado!>.

  5. Hoje esta sendo divulgado que a causa da morte não foi o tiro, mas sim a coronhada recebida na nuca.
    Acredito que assim temos caracterizada a intenção do “Dolo” o que deveria complicar ainda mais a situação do policial.

  6. Pingback: Dizem que ela existe pra ajudar… « KizombA

  7. grande mandica!

    UM ESTÁDIO SEM FAIXAS E BANDEIRAS É COMO UM PRATO VAZIO, OU UM CÉU SEM ESTRELAS.

    por Nilton!

  8. Sou torcedor do Espotr Clube Vitoria, e várias vezes já presenciei a violência da policia nos estádios! Pessoas despreparadas, não podem ser policiais, até quando vamos viver com medo de sairmos a rua, as pessoas não mais se respeitam, o ridiculo hj por incrivel que pareça é ser honesto, na Grécia um jovem é morto e toda a população fica indignada com tal ato de covardia, precisamos da policia sim, mas uma policia que saiba respeitar os direitos dos cidadãos!!!! Até quando vamos viver com medo? DEMOSTRO DESTA FORMA TODA A MINHA INQUIETAÇÃO A ATOS COMO ESTES DE EXTREMA BRUTALIDADE! PAZ!!! JUSTIÇA!!!! FÉ EM DEUS E ACMA DE TUDO AMOR PELO PRÓXIMO SÃO PREMISSAS BÁSICAS PARA A VIDA!

  9. Pingback: Do ato « kadj oman

  10. o,policial d brasilia assasinou o joven proposital
    não acidente, eu moro em brasilia, sou paulista e gostaria de ajudar a familia,dele se alguem conheçe contatos por favor me ajudar assim não vai ficar.

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