Tensão na Grécia

A polícia grega assassinou um jovem de 15 ou 16 anos durante uma manifestação anarquista.

Em resposta, há dias há tensão entre grupos libertários e as autoridades armadas em várias cidades gregas.

Notícias sobre o assunto:

Polícia grega assassina jovem anarquista em Atenas 

Um jovem anarquista de 16 anos, Alexandros Grigoropulos, morreu, neste sábado (6), atingido por um tiro da polícia durante enfrentamentos entre as forças de segurança e um grupo de ativistas no bairro de Exarhia, ponto de freqüentes enfrentamentos entre grupos radicais e as forças da ordem.

O incidente ocorreu na noite de sábado, quando um policial, segundo a versão das autoridades gregas, que estava em uma viatura atirou para o ar com o intuito de dispersar o grupo que teria atacado a patrulha, no entanto, a bala, atingiu o tórax do jovem, matando-o. 

Por outro lado, existe controvérsia a respeito dos motivos que originaram o disparo, até a grande mídia acabou divulgando notas que o tiro foi a sangue frio e sem motivo. 

Conseqüentemente, a morte do jovem anarquista provocou uma série de protestos violentos em diversas cidades do país, que originaram grandes danos materiais em lojas, estabelecimentos e veículos. 

Manifestações estão sendo convocadas por grupos anarquistas e autônomos para hoje e amanhã, tanto em Atenas como em outras cidades. 

Mais infos e fotos: http://athens.indymedia.org 

*** 

[Grécia] Comunicado desde a ocupação do Instituto Politécnico de Atenas 

[Nas barricadas, nas ocupações da universidade, nas manifestações e nas assembléias mantemos viva a memória de Alexandros, mas também a memória de Michalis Kaltezas e de todos os companheiros que foram assassinados pelo Estado, fortalecendo a luta por um mundo sem amos e escravos, sem polícia, sem exércitos, sem cadeias e sem fronteiras.

“No sábado, 6 de dezembro de 2008, Alexandros Grigoropoulos, de 15 anos de idade, companheiro, foi assassinado a sangue frio, com uma bala no peito por um polícia na zona de Exarchia. 

Contrariamente às declarações dos políticos e jornalistas, que são cúmplices dos assassinatos, isto não foi um “incidente isolado”, mas uma explosão da repressão estatal que, sistematicamente, e, de maneira organizada, aponta aqueles que resistem, os que se rebelam, os anarquistas e antiautoritários. 

É o pico do terrorismo de Estado, que se expressa com a evolução da função dos mecanismos repressivos, seu armamento ininterrupto, o aumento dos níveis de violência que utilizam; com a doutrina da “tolerância zero”; com a calúnia da propaganda dos meios de comunicação, que penaliza os que lutam contra a autoridade. 

São estas condições que preparam o caminho para a intensificação da repressão, tratando de extrair o consentimento social de antemão, e eles cobram as armas dos assassinos de Estado de uniforme! 

A violência mortal estatal contra o povo na vida social e à luta de classes têm por objetivo a submissão de todo mundo, atuando como castigo exemplar, destinado a difundir o medo. 

É parte do grande ataque do Estado e da patronal contra toda a sociedade, com o fim de impor as mais duras condições de exploração e opressão, para consolidar o controle e a repressão. Da escola às universidades, às cadeias com a escravidão, às centenas de trabalhadores mortos nos chamados “acidentes de trabalhos”, e a pobreza que atinge um grande número da população… Desde os campos de minas nas fronteiras, os programas e os assassinatos dos imigrantes e dos refugiados, aos numerosos “suicídios” nas cadeias e delegacias de polícia… dos “tiroteios acidentais” da polícia nos bloqueios à violenta repressão das resistências locais, a democracia está mostrando os seus dentes! 

Desde o primeiro momento depois do assassinato de Alexandros, manifestações espontâneas e distúrbios explodiram no centro de Atenas, a Politécnica, o Conselho Econômico e as Escolas de Direito estão ocupadas e os ataques contra o Estado e objetivos capitalistas acontecem em diferentes bairros e no centro da cidade. As manifestações, os ataques e os enfrentamentos surgem em Salónica, Patras, Volos, Chania e Heraklion, em Creta, em Giannena, Komotini e muitas outras cidades. Em Atenas, na rua Patission -fora da Politécnica e da Faculdade de Economia- os embates duraram toda a noite. Na saída da Politécnica, a polícia de choque utilizou balas de plástico. 

Domingo, 7 de dezembro, milhares de pessoas marcharam em direção ao quartel geral da polícia em Atenas, atacando a polícia antidistúrbio. Enfrentamentos de uma tensão sem precedentes explodiram nas ruas do centro da cidade, durando até o começo da madrugada. Há muitos manifestantes feridos e numerosos detidos, 

Mantemos a ocupação da Escola Politécnica que começou na noite de sábado, criando um espaço para todas as pessoas que lutam para avançar e um dos focos de resistência de caráter permanente da cidade. 

Nas barricadas, nas ocupações da universidade, nas manifestações e nas assembléias mantemos viva a memória de Alexandros, mas também a memória de Michalis Kaltezas e de todos os companheiros que foram assassinados pelo Estado, fortalecendo a luta por um mundo sem amos e escravos, sem polícia, sem exércitos, sem cadeias e sem fronteiras. 

As balas dos assassinos uniformizados, as detenções e surras nos manifestantes, o gás químico arremessado pelas forças da ordem, só não podem impor o medo e o silêncio, mas, também, que são convertidos para que as pessoas tenham razão para lutar contra o terrorismo de Estado e encarar a luta pela liberdade, para abandonar o medo e para encontrar-nos -cada vez mais a cada dia- nas ruas da revolta. 

Deixamos que flua a fúria e os afoguemos! O terrorismo de Estado não passará! 

Liberação imediata de todas as pessoas presas nos acontecimentos de sábado e domingo (7 e 8 de dezembro)! 

Enviamos nossa solidariedade a todas as pessoas que ocupam as universidades, as que se manifestam e lutam contra o terrorismo de Estado em todo o país!” 

Assembléia de Ocupantes da Universidade Politécnica de Atenas 

*** 

Ações de solidariedade na Europa com o movimento anarquista grego e o assassinato do jovem Alexandros Grigoropoulos 

Londres (Reino Unido): Ocupação da embaixada grega por cerca de 30 pessoas nesta manhã de segunda-feira (Cool. Tiraram a bandeira grega, queimaram e hastearam uma vermelho-negra. Algumas pessoas foram presas nesse protesto. 

Fotos: http://www.indymedia.org.uk/en/2008/12/414613.html 

Fotos: http://london.indymedia.org.uk/articles/372 

Berlim (Alemanha): Ocupação do consulado grego e manifestação de rua com centenas de ativistas no dia 7 de dezembro. Entre hoje e amanhã serão realizadas manifestações em várias cidades da Alemanha, como Berlim, Hannover, Dortmund, München, Frankfurt, Bremen e Bern. 

Fotos: http://de.indymedia.org/2008/12/235071.shtml 

Fotos: http://www.flickr.com/photos/kietzmann/sets/72157610874863724/ 

Fotos da mani em Köln: http://de.indymedia.org/2008/12/235255.shtml 

Paris (França): Aconteceu hoje (8) uma manifestação em frente da embaixada grega. 

Zagreb (Croácia): A embaixada grega na cidade de Zagreb foi atacada. 

Chipre (Ilha no Sul da Turquia): Na cidade de Páfos, por volta de 400 estudantes se concentraram em frente à delegacia geral. Numa tentativa de ocupar a rua receberam o ataque da policia, que deteve um estudante. Em Lefkosía, a polícia prendeu dois anarquistas durante a concentração em frente à embaixada grega. 

Edimburgo (Escócia): Amanhã (9) às 13:00, manifestação solidária. 

Madri e Barcelona (Espanha): Manifestações em solidariedade com as revoltas na Grécia amanhã (9) e 10 de dezembro. 

*** 

Vídeo pode incriminar policiais gregos 

[Vídeo gravado por uma vizinha com seu celular se escuta dois disparos e se vê os dois policiais, que acabavam de disparar em Alexandros Grigoropoulos, saírem tranquilamente do lugar.] 

Diferentemente do que diz as autoridades gregas e policiais envolvidos na morte do adolescente Alexandros, neste vídeo gravado por uma moradora do bairro de Exarhia, não se percebe nenhum ataque de “30 pessoas encapuzadas contra um veículo policial”, muito menos um cenário de confrontação com grupos de jovens “radicais”, o que a polícia grega havia terminantemente afirmado antes da prisão do agente Epaminondas Korkoneas, 37, que está detido na Diretoria da Polícia de Atenas. 

Este vídeo está sendo difundido pela mídia corporativa grega e por diversos Indymedias internacionais, páginas anarquistas e de contra-informação, e parece ser chave para esclarecer o caso, junto ao depoimentos de testemunhas presenciais, que já declararam nesta mesma linha de pensamento. E para demonstrar que a morte do jovem Alexandros Grigoropoulos foi um assassinato premeditado e a sangue frio por parte da polícia grega. 

Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=jwJZHcMolUA 

*** 

Distúrbios ontem à noite na Grécia 

[As ondas de protestos na Grécia continuam. As manifestações estão causando pesados estragos materiais. Autoridades gregas já indicam que a situação está ficando fora de controle. O centro de Atenas está tomado de anarquistas. Uma loja de armamentos foi saqueada. Comunicado da embaixada dos EUA e do Reino Unido informam que cidadãos dos respectivos países não saiam às ruas de Atenas. O mesmo está sendo indicado pelos grandes hotéis aos turistas. Para hoje estão previstas mais manifestações. O corpo de Alexandros Grigoropoulos será enterrado hoje à tarde num cemitério do subúrbio do sul de Palaio Faliro, em Atenas. É esperado que o enterro se transforme num grande protesto anti-polícia.] 

Ilha de Rodas: Grandes distúrbios na ilha de Rodas depois da manifestação estudantil. Grupos atacaram com pedras a delegacia de polícia. Oito policias saíram ferido e um jovem foi preso. Os distúrbios foram repetidos pela madrugada. 

Cidade de Náfpaktos: Mais de 1.000 pessoas responderam ao chamado da “Iniciativa Antiautoritária de Kórinzos”, “Cena Libertária” e grupos da esquerda. A manifestação se dirigiu a delegacia, e quando apareceu a policia começou os maiores distúrbios que esta cidade viveu durante cinco horas. Também ataques a vários bancos foram executados. 

Cidade de Pírgos (Peloponeso): Ataque com mais de 20 molotov em direção a sede do governo da província e o escritório da fazenda pública. À noite foram levantadas barricadas ao redor da Escola Técnica Superior cortando a circulação. Hoje pela manhã acontecerão outras manifestações. 

Bairro de Zográfu (Atenas): Ataque com pedras e coquetéis molotov a uma patrulha policial. 

Cidade de Serres (Norte da Grécia): Mais de 100 anarquistas e esquerdistas foram às ruas. Ocorreram pequenos distúrbios na frente da delegacia. Vários caixas eletrônicos e câmeras de vigilância foram destruídos. 

Cidade de Iráklio: Milhares de pessoas foram à rua, uma vez mais, ontem à tarde. As pessoas acabaram com os bancos que tinha permanecido sem tocar no centro da cidade. Grupos vaguearam pelo centro destruindo bancos, lojas de multinacionais, magazines de celulares. Na praça central ocorreram grandes distúrbios com a polícia. A situação escapou das mãos da polícia, e os distúrbios pelo centro acabaram por volta da meia-noite. Nos bairros ao redor do centro os distúrbios continuaram até mais tarde. 

Fotos em: 

http://www.flickr.com/photos/xamogelo/sets/72157610935745938/show/ 
http://www.flickr.com/photos/xamogelo/sets/72157610864864721/show/ 

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Por mais dura que seja a luta, o que se passa Grécia mostra que ela é possível, e necessária.

Nem Obama, nem Lula: outro mundo, só sem Estado.

E sem propriedade privada.

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2 Respostas para “Tensão na Grécia

  1. Quer dizer que:
    a) um torcedor do são paulo (juntado a outros, porque sozinho não tem coragem) fazia arruaça contra um pequeno numero de torcedores do goiás (a grande maioria no entorno do estádio era de são-paulinos) e, como mostra o video, perseguido por um policial (destreinado, mal-pago, mal orientado, etc, como todos sabemos) ao levar uma coronhada levou um tiro…
    b) um jovem grego (unido a mais trinta, porque sozinho…etc) tentava atear fogo numa bomba de gasolina e como estavam sendo perseguidos pela policia, resolveram atacar os policiais com bombas incendiárias, levou tiros no peito e morreu…
    Afinal, quer dizer que esses pseudo-mártires não passam de um bando de fanáticos (como tantos no mundo [vide Mumbai]) e a “opinião pública” finaliza apoiando quem não deveria (por uma questão de direito e justiça) e retirando apoio a quem deveria (porque não há passeatas de estudantes para aumentar o salário dos policiais, treinar melhor a segurança e pedir uma revisão imediata (por exemplo união da policias civil e militar em uma só) e protestar contra a não-punição dos “barões” da política, da economia, etc…
    Quer dizer… continua tudo como d’antes…

    • Amigo, não confunda as coisas. Despreparo há, e acontece em todo lado, mas o nível de violência dessa cena do torcedor são-paulino vai além de um simples despreparo.
      Já na Grécia, pior ainda: era um MOLEQUE de 16 anos, que não foi lá virar mártir, não se jogou na frente de um carro da polícia. Você viu o vídeo? O moleque foi ASSASSINADO.
      Aliás, o torcedor são-paulino menos ainda, ele estava RENDIDO, tinha parado de correr, não era uma ameça.
      O lance é que a polícia existe pra reprimir. E reprimir só pode ser socialmente aceitável em uma sociedade desigual em todos os sentidos e baseada na propriedade privada.
      Pra terminar: opinião pública escolhe o lado errado? A frase é verdadeira, só que o que você chama de lado errado não, porque sempre se defende a polícia contra os “vândalos” e “arruaceiros”, assim resumidos.

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