De novo, a polícia

Domingo, a última rodada do Brasileirão teve um jogo mais explorado do que tudo: Goiás x São Paulo, em Brasília.

Os ingressos custavam um absurdo ainda maior do que já custam.

Houve suspeita de suborno, troca de árbitro, gol impedido, inversão de mudança de campo, briga pelo vestiário e pelo banco de mandantes.

O São Paulo foi tri e hexa.

A mídia e a torcida fizeram festa pelo título histórico e inédito.

Mas nada disso deveria ser mais importante e ter tanto espaço na mídia quanto o que mostra este vídeo: http://deolhos.blogspot.com/2008/12/veja-torcedor-do-so-paulo-baleado-na.html

Muito se fala sobre violência no futebol, como se ela fosse uma exclusivade do esporte – quando está longe de ser.

Muito se fala em banir as organizadas, criar arenas disciplinizadoras onde todos ficam sentados e “confortáveis”.

Muito se rotula torcedores enquanto bandidos e marginais – embora este último sejam cada vez mais, já que o espetáculo e o dinheiro os empurram cada vez mais para dentro de casa e para fora dos estádios, à margem do futebol.

E o que se vê, sempre, é o despreparo da corporação policial ao lidar com situações conflitivas. 

O despreparo e a mentira deslavada, comprovada no próprio vídeo ao mesmo tempo em que se vêem as imagens, claras, e se escuta a nota oficial da polícia.

É quase inacreditável, é preciso ver duas vezes. Porque uma pessoa agredir outra que já se encontra com os braços levantados e rendida é uma covardia inadmissível. O tiro torna a cena mais chocante ainda, mas não é porque a arma disparou que o ato é covarde, a coronhada em si já era um ato de abuso de poder claro e descabido.

Este caso não pode se tornar mais um a passar impune. A torcida do São Paulo, a mídia, todas as torcidas deveriam manifestar-se quanto a ele muito mais do que pelo título. É da vida que se trata aqui, mais do que tudo.

Coronéis na comissão de arbitragem, policiais que prendem jogadores no vestiário e atiram em torcedores já rendidos, silêncio misterioso na mídia.

Será que dormi e acordei de volta em 1964?

O pior é que não…

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2 Respostas para “De novo, a polícia

  1. A final no estádio do porco, contra a macaca, também teve um lance assim, na arquibancada.
    O promotor estava observando (e ria, segundo amigos que tenho do lado de lá) tudo de costas para o campo, onde acontecia a peleja, como quem comanda alguma coisa.

    E nosso último jogo também tivemos que assistir cenas assim. E tudo isso vem sempre com a legenda “MARGINAIS”, “VÂNDALOS”, e o flavio prado cuspindo “são bandidos”.

    Não é de hoje, não vai acabar tão cedo, mas verdade seja dita: a covardia desse caso do sãopaulino foi tanta, mas tanta, que o silêncio dessa mídia passou a ser uma gritaria para quem está sempre na arqubancada.

    E que sabe que sem as lideranças, conscientes e promotoras do espetáculo das torcidas, não chegaremos a lugar nenhum.

    No entanto, tanto o silêncio midiático quanto as cusparadas do f.da p., estão a toda dizendo que justamente essa liderança deveria ser extinta… Sabemos que não é assim que essa “violência nos estádios” (que começa FORA dele) será ‘resolvida’.

    A questão da marginalização do ser humano deveria ser o cerne da discussão, mas não é.
    Estão preocupados demais em transformar a torcida em mercado consumidor alienado…

  2. Pingback: Sul da América no espelho | impedimento.org

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