Toninho Vanusa

Quinta-feira, dia de trabalho incomum: um monte de processos para tramitar.

De repente, aparece um senhor no balcão, cabelos grisalhos, e pergunta:

– Por favor, o Valdemar tá aí?

– Valdemar, motorista? Pera aí.

– Fala pra ele que é o Toninho que tá procurando ele, o Toninho que jogou no Palmeiras.

Uma luzinha de entusiasmo acendeu na minha cabeça. Enquanto meu companheiro de trabalho procura o Valdemar na copa, eu pergunto:

– O senhor jogou no Palmeiras?

– Sim. Palmeiras, Juventus e Vasco.

– Quando?

– Em 76, 77…

Nisso, alguém o chama e ele vai até a copa atrás do Valdemar. Penso que perdi uma boa conversa e vou procurar na internet por algum Toninho no Palmeiras em 76. Segundos depois ele volta. Com o Valdemar. E diz:

– Esse aqui, ó, um grande central!

– Que nada, ele que era um puta meia-esquerda!

Eu aponto uma foto no computador e pergunto:

– O senhor é esse aqui? Jogou com o Ademir?

– Joguei, eu era reserva dele. Mas esse não sou eu, eu sou outro Toninho. O Vanusa.

E começou a contar as suas histórias.

Jogou no Palmeiras até que um carrinho fez com que caísse sobre o braço – que hoje não mexe mais direito – e tivesse fratura exposta. Daí foi pro Juventus e pro Vasco.

Quando criança, era engraxate e fazia “70 centavos por dia”, segundo ele. Até que um dia um dos homens que com ele engraxava os sapatos o viu fazendo embaixadinhas e pediu pra fazer mais.

Juntou gente.

E ele voltou pra casa com 5 cruzeiros.

O pai, claro, perguntou de onde tinha vindo “tanto” dinheiro. Ele disse a verdade. Achou que ia apanhar.

Mas o pai, ao invés disso, contou um segredo: tinha sido meia-esquerda do Madri da Mooca.

“Um dos maiores”.

Seu tio, irmão do pai, tinha jogado no Corinthians na década de 20 – Joãozinho. Amputou as duas pernas.

Seu pai amputou uma.

Uma época em o futebol não tinha contusões com finais tão “felizes” quanto as do Fenômeno. 

E também não dava dinheiro: Toninho Vanusa prestou concurso do então INPS e virou servidor público. Passou a jogar pelo time do Instituto. E lá conheceu o Valdemar.

Depois de mostrar a habilidade que tinha com a pelota fazendo alguns malabarismos com uma bola imaginária, não tive outra saída: pedi um autógrafo.

– Para um grande amigo meu, palmeirense fanático.

– Você não é palmeirense?

– Não não, sou corinthiano.

– EU TAMBÉM! E fanático!

Guardei o autógrafo e tratei logo de registrar sua história. Não é todo dia que se conhece um ídolo do futebol alternativo assim, sem mais nem menos.

Pena não ter tirado uma foto. Mas ele disse que ficará em São Paulo – ele mora em Bebedouro – o mês inteiro, já que está cuidando da mãe doente.

E assim se foi, o reserva de Ademir, dialeticamente corinthiano e palmeirense, presente na mítica final do Brasileirão de 78.

E que – descobri depois – devia ser bom de bola mesmo. 

Basta conferir as fotos abaixo pra atestar:

Año de la mujer peruana. Campeonato Sud Americano de Futbol Juvenil. Huampani. Agosto de 1975, Peru.

Em pé estão: Éder, Tião Marçal, Carlos Alberto Barbosa, Toninho Vanusa, Everaldo e o goleiro Carlos. O jogador agachado é Celso Freitas. O foto foi tirada em agosto de 1975, no Peru. Era o Campeonato Sul-Americano Sub-21. Na parte de baixo observe a seguinte legenda, em espanhol: Año de la mujer peruana. Campeonato Sud Americano de Futbol Juvenil. Huampani. Agosto de 1975, Peru.

Este Palmeiras venceu o Inter de Porto Alegre por 2 a 0 em 3 de agosto de 1978 no Morumbi. O jogo valeu pela semifinal do Campeonato Brasileiro e teve a presença de 59.495 pagantes. Toninho marcou os dois gols. Em pé estão Rosemiro, Leão, Beto Fuscão, Alfredo, Pires e Pedrinho; agachados vemos Silvio, Jorge Mendonça, Toninho, Escurinho e Toninho Vanusa

Este Palmeiras venceu o Inter de Porto Alegre por 2 a 0 em 3 de agosto de 1978 no Morumbi. O jogo valeu pela semifinal do Campeonato Brasileiro e teve a presença de 59.495 pagantes. Toninho marcou os dois gols. Em pé estão Rosemiro, Leão, Beto Fuscão, Alfredo, Pires e Pedrinho; agachados vemos Silvio, Jorge Mendonça, Toninho, Escurinho e Toninho Vanusa

Chico (massagista), Jarbas, Marcelo Oliveira, Luiz Carlos Gaúcho, Cláudio Adão e Toninho Vanusa.

Seleção Brasileira Juniores campeã de Cannes (França) em 1974. Em pé: Vanderlei Luxemburgo, Walter, Xáxa, Batista, Carlos e Carlinhos. Agachados: Chico (massagista), Jarbas, Marcelo Oliveira, Luiz Carlos Gaúcho, Cláudio Adão e Toninho Vanusa.

 

Em tempo: se alguém quiser comprar um card dele, é só clicar aqui.

Fonte das fotos:

 http://desenvolvimento.miltonneves.com.br/qfl/Conteudo.aspx?id=60473

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3 Respostas para “Toninho Vanusa

  1. Bem, eu tenho este card. E tenho a segunda foto, ele na ponta agachado. Eagora terei um autógrafo, desse corintiano, puto corintiano, mas que temperou minhas idas ao estádio na infancia: os adultos, a todo instante, nos momentos de nostalgia, citavam Toninho Vanusa, uma figura suigeneris. Obrigado, Mandioca.

  2. Tive a alegria de conhecer e desfrutar da amizade do Toninho. Tínhamos relações comerciais e frequentava sua casa.
    Toninho foi um excelente amigo.
    Meus sinceros sentimentos à toda fámilia.

  3. Mauro Garcia(ex-Siemens)

    Toninho,grande amigo,homem de carater, aprendi admira-lo

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