Estava vendo uns vídeos no YouTube e me deparei com este ataque de um cágado, esse animal feroz e bestial, a um pombo pobre e indefeso e sujo e transmissor de AIDS, hepatite, gonorréia e gripe suína.
Aí me lembrei de uma cena de cinema que a Tate, amiga de Brasília, nos proporcionou certa vez.
Pros idos de 2003, estava eu na capital federal, essa cidade seca e horrível maravilhosamente planejada e arquitetonicamente detestável incrível. Tate me levou pra passear no Congresso, ver aquele bando de funcionário público roubando trabalhando honestamente 3 horas por dia.
Lá, está erguido a décima maravilha do mundo – a nona é o Minhocão: um pombal – isso mesmo, um ninho de pombos – construído pelo grandissíssimo Niemeyer.
(foto)
Você não está enganado: parece um pregador gigante.
Um pombal, como era de se esperar, junta pombos. Muitos pombos.
Eu e a Tate comíamos hamburguer – vegano, lógico – quando ela percebeu que uma pooobre pombinha tinha uma sacolinha plástica presa em sua pooobre asinha.
Tate era uma defensora dos animais. Uma ativista política vegana. Não podia deixar aquilo passar na sua frente.
E começou a tentar pegar a pooobre pombinha pra tirar a sacolinha de sua pooobre asinha.
Só que a pooobre pombinha era inteligente e fugia do contato humano – uma sacolinha na asa já era suficiente pra ela de presente daquela raça. E a Tate começou a ficar desesperada.
Eu tentei argumentar que a pooobre pombinha estava bem assim, a sacolinha era como um pára-quedas, um freio artificial. Ela era quase um Robocop, um Batman dos pombos, tinha um plus tecnológico que suas irmãs nunca teríam – ou até cruzarem o caminho de um humano, provavelmente.
Aposto que a pooobre pombinha da sacolinha plástica não seria devorada pelo cágado do começo da história.
Mas Tate estava decidida, e teve uma idéia: e se ela atirasse umas migalhas de pão dos nossos hamburgueres pra atrair a pooobre pombinha?
Não tinha porque não dar certo, não é mesmo?
Milhões de pombas + migalhas de pão, o que pode sair errado?
Bem… isto:
Aparentemente, Hitchcock teve inspiração pra escrever “Os Pássaros” depois de conhecer Brasília.
Fomos perseguidos por 1.000.000.000.000.000.000.000 de pombos a pé – ainda bem, porque se eles tivessem vindo voando a gente estaria todo coberto de cocô na merda.
Sorte que os pombos, como pode comprovar nosso amigo cágado, não são animais deveras inteligentes. E foi só a gente apertar o passo e jogar todos os pães no chão pedindo perdão dar a volta no pregador pra eles se perderem na perseguição.
Desde então, a Tate nunca mais tentou salvar uma pooobe pombinha.
Nem de sacolinhas, nem de cágados.
E eu ainda vou pendurar uma faixa naquele pregador escrito “ei, Niemeyer, você já sabe a rima”.
Estava vendo uns vídeos no YouTube e me deparei com este ataque de um cágado, esse animal feroz e bestial, a um pombo pobre e indefeso e sujo e transmissor de AIDS, hepatite, gonorréia e gripe suína.
Aí me lembrei de uma cena de cinema que a Tate, amiga de Brasília, nos proporcionou certa vez.
Pros idos de 2003, estava eu na capital federal, essa cidade seca e horrível maravilhosamente planejada e arquitetonicamente detestável incrível. Tate me levou pra passear no Congresso, ver aquele bando de funcionário público roubando trabalhando honestamente 3 horas por dia.
Lá, está erguida a décima maravilha do mundo – a nona é o Minhocão: um pombal – isso mesmo, um ninho de pombos – construído pelo grandissíssimo Niemeyer.

Você não está enganado: parece um pregador gigante. É a arte!
Um pombal, como era de se esperar, junta pombos. Muitos pombos.
Eu e a Tate comíamos hambúrguer – vegano, lógico – quando ela percebeu que uma pooobre pombinha tinha uma sacolinha plástica presa em sua pooobre asinha.
Tate era uma defensora dos animais. Uma ativista política vegana. Não podia deixar aquilo passar na sua frente.
E começou a tentar pegar a pooobre pombinha pra tirar a sacolinha de sua pooobre asinha.
Só que a pooobre pombinha era inteligente e fugia do contato humano – uma sacolinha na asa já era suficiente pra ela de presente daquela raça. E a Tate começou a ficar desesperada.
Eu tentei argumentar que foda-se a pooobre pombinha estava bem assim, a sacolinha era como um pára-quedas, um freio artificial. Ela era quase um Robocop, um Batman dos pombos, tinha um plus tecnológico que suas irmãs nunca teríam – ou ao menos até cruzarem o caminho de um humano, provavelmente.
(Aposto que a pooobre pombinha da sacolinha plástica não seria devorada pelo cágado do começo da história. )
Mas Tate estava decidida, e teve uma idéia: e se ela atirasse umas migalhas de pão dos nossos hambúrgueres pra atrair a pooobre pombinha?
Não tinha porque não dar certo, não é mesmo?
Milhões de pombas + migalhas de pão, o que poderia sair errado?
Bem… isto:

Aparentemente, Hitchcock teve inspiração pra escrever "Os Pássaros" depois de conhecer Brasília.
Fomos perseguidos por 1.000.000.000.000.000.000.000 de pombos.
Mas, ao contrário da imagem, a pé – ainda bem, porque se eles tivessem vindo voando a gente estaria todo coberto de cocô na merda.
Sorte que os pombos, como pôde comprovar nosso amigo cágado, não são animais deveras inteligentes. E foi só a gente apertar o passo e jogar todos os pães no chão pedindo perdão dar a volta no pregador pra eles se perderem na perseguição.
Desde então, a Tate nunca mais tentou salvar uma pooobre pombinha.
Nem de sacolinhas, nem de cágados.
E eu ainda vou pendurar uma faixa naquele pregador escrito “ei, Niemeyer, você já sabe a rima”.
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PS.: Dedico este post à minha mãe, que atravessa a rua toda vez que há um pombo – ou qualquer outro animal voador – na mesma calçada que ela.
Mãe, compra um cágado!