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Eu, o RG e a TV

E quando eu achava que tinha acabado a onda do RG Corinthians, recebi mais um convite:

participar do programa “Pra Você”, na TV Gazeta, segunda-feira, às 10h30, junto ao Cacá Rosset e à Andrea Pasquini (diretora do filme “Fiel”).

O tema do programa?

Corinthians, lógico. Campeão paulista, esperamos.

Assistam, gravem pra mim. É ao vivo, então a chance de falar coisas legais aumenta exponencialmente.

E vai Corinthians!

Você que é o Corinthians? ou O coração da metrópole

Dez minutos atrás, estou almoçando pizza em pedaço.

Quase no fim do último pedaço, um gordinho de azul senta do meu lado com seu amigo e fica me encarando.

Não dou bola. Ele levanta, olha pra mim e pergunta:

- Você que é o Corinthians?

- !?!? …oi???

- O Corinthians, que passou na RedeTV?

- É… sou eu.

- Também sou Corinthians, mano!!!

O amigo não entende, ele explica baixinho:

- Ele assinou Corinthians no RG.

O amigo sorri.

Levanto, rápido, que a pizza acabou mas a vergonha não, e me vou, tomando o resto da Coca-Cola.

Não sem antes dizer:

- Domingo “é nóis”, hein?

- É nóis, família!

Somos todos Corinthians, independentemente de ter um pedaço de papel escrito isso ou não.

***

Três minutos depois, voltando ao trabalho, um moleque de rua gordinho na Conselheiro Crispiniano levanta e vem na minha direção.

Estende a mão, cara de bravo, em direção à minha Coca. Ele não tem um braço.

- Vai, mano, dá essa Coca aí.

Meio perplexo e meio puto, paro, olho nos olhos dele e digo, com aspereza:

- Vamos com calma aí? 

O  moleque meio que se assusta e se rende, quase se desculpa:

- Vamos com calma. É que eu tô na maior neurose…

- Tranquilo. O lance é ter respeito, dos dois lados. Toma aí – e dou a Coca ainda pela metade pra ele.

- Valeu.

Almoçar – e viver, e trabalhar – no centro de São Paulo é sempre imprevisível, errante, quase uma aventura.

Cheia de situações complicadas como essa.

Dá pra falar em certo e errado? Politicamente correto, incorreto? Sentir culpa, dó, qualquer merda?

Só sei que eu dei a Coca não por ele ser um moleque de rua, nem por não ter um braço. Mas porque ele topou olhar nos meus olhos e trocar idéia, mesmo que tenham sido 10 segundos de idéia.

Aqui, no coração da metrópole, a gente aprende a desentupir as artérias um pouco a cada dia.

Lelê

Às vezes a gente conhece umas pessoas na vida e nem percebe o quanto elas são foda.

Aí um belo dia elas passam 15 minutos contigo e desenham uma linha, “antes de conhecer” e “depois de conhecer”.

No meu caso, ultimamente, tive sorte: presentearam-me com duas pessoas dessas no mesmo ano.

As duas de apelido Lelê.

As duas de aniversário em 08/10.

Uma de cada sexo.

Lelê, o palmeirense fantástico, zagueiro do Autônomos;

Lelê, a corinthiana fanática, a mãe espetacular, a blogueira sensacional, a amiga que vai te buscar no aeroporto numa segunda-feira chuvosa à meia-noite a troco de nada.

Pessoas daquelas que você, com 15 anos, colocaria na lista de quem levaria pra uma ilha deserta.

No caso da Lelê, eu não sou o único a pensar assim.  Tanto é que a TPM percebeu que ela é uma em um trilhão e contratou o blog dela.

Minha amiga mais famosa. 

Que mesmo que ninguém conhecesse seria minha amiga mais famosa.

Porque eu falo dela e do blog dela pra todo mundo. 

Porque ela merece.

Por mais que algumas chefes de ONG sem senso de humor, ou melhor, com senso de humor aristocrático, não a entendam.

A essas, o futuro dará a mesma lição que vem dando em alguns “jornalistas” esportivos por aí: mais vale um gênio na mão do que dois atacantes-fulanos.

Lelê é gênio. Isso eu posso dizer.

E sabe que estamos aí pro que der e vier.

argentina3

Pra gringo ver

O futebol brasileiro já deu aos ingleses vários gostos e desgostos.

Agora, produziu algo por lá que eu não sei se me dá ânsia ou ataque de riso.

Vejam só:

Vagner Love vira nome de grupo de rock na Inglaterra

Impagável.

Anão ou viado?

É, gente.

De vez em quando o seu mp4 que te protege da boçalidade do cotidiano te deixa na mão e você se encontra em um ônibus lotado voltando da USP com milhões de estudantes conversando.

E é claro que meus ouvidos biônicos, numa hora dessas, bastaram se despedir da música pra ouvir logo de cara alguém falando:

- O que você acha pior, que seu filho seja anão ou viado?

E já segurei o riso.

Era o Marcelo, descobri depois, já que os amigos do Marcelo repetiram umas 500 vezes:

- Marcelo, só você mesmo.

Porque começou assim, e daí foi melhorando. Marcelo sabia falar de muitos assuntos. 

Começou com o futuro da família:

- Tenho certeza que minha filha vai ser drogada.

Logo depois, passou pra política:

- Ah, mas uma coisa que eu não vou deixar é ela votar no DEMo. Se votar no DEMo eu jogo ela na rua.

Então, usando o gancho anterior, foi pro futebol:

- Pior do que ser anão ou viado é se ela for palmeirense. Isso nunca. É o fim do mundo!

Corinthiano, o Marcelo?

Não.

- E se ela for corinthiana, Marcelo?

- Fim do mundo menos um.

E pra completar a tríade “política-futebol-religião”, ele mandou logo:

- Agora imagina se ela for religiosa, que saco? Vai ficar querendo ir em Marcha pra Jesus, me pedindo “pai, me leva no Marcelo Rossi”… Pior que isso só se for testemunha de Jeová!

Felizmente (pra mim), o Marcelo não estava só. Ele tinha amigos – três.

Sendo que dos três, dois eram religiosos – um deles, testemunha de Jeová.

Outro tinha acabado de descobrir o uso do “fulano ligou e pediu sei-lá-o-quê de volta”.

Então, a cada marcelada, ele soltava:

- Marcelo, o South Park ligou e pediu o politicamente incorreto de volta.

- Marcelo, Mussolini ligou e disse que você está sendo muito extremista.

Esse, na hora de falar dos futuros filhos, lançou:

- Meu filho vai ser FUINHA, igual o pai.

Por favor, deus, se você existir mesmo, castre esse amigo do Marcelo, sim?

Porque alguém que espera que o filho seja FUINHA IGUAL O PAI simplesmente NÃO PODE reproduzir.

O ônibus subia a Rebouças e Marcelo e seus amigos começavam a discutir sobre licenciatura. Os amigos já faziam, Marcelo ainda não tinha começado. 

Ele só imaginava como era:

- Imagina eu lá, com um monte de gordo que faz física reclamando do professor porque ele mandou ler 2 páginas de texto? Vou fazer grupo com esses caras, eles vão dizer “eu não sei ler, só sei fazer fórmula”.

Nisso uma das amigas do Marcelo soltou A MELHOR DA NOITE, campeã, imbatível, our-concours, supreme:

- Ah, sabe o que eu percebo? Que eu não sinto falta de exatas. Já o pessoal de exatas lá na minha sala, sente muita falta de humanas. Porque, sei lá, É HUMANAS MÊO, É DO SER HUMANO!

Mesmo sempre tendo achado matemática e física coisa de extraterrestre, nessa hora eu não consegui segurar e dei uma risada. 

Mas a turma do Marcelo estava tão compenetrada que nem percebeu.

O momento que ninguém gostaria que chegasse se aproximava. Estávamos já quase no ponto do Marcelo descer, então ele precisava fechar a conversa. 

E é claro que ele não deixaria de finalizar o papo com brilho:

- Claro que eu prefiro que meu filho seja viado. Já pensou, anão? DEFORMADO?

Detalhe: dois metros à frente, uma senhora lutava bravamente pra manter a cadeira de rodas de seu filho parada dentro do ônibus…

Enfim, Marcelo desceu.

Mas me deixou com uma dúvida, que coloco aqui para todos:

E aí, anão ou viado?

Toninho Vanusa – II

E não é que saindo pra almoçar encontro o Vanusa de novo?

Só que dessa vez foi ainda melhor: ele veio me cumprimentar, trocar idéias.

Mostrou o tornozelo fraturado, falou do drible mágico que faz, disse que ia jogar bola sábado com “uma mulecada” da zona leste.

Perguntei aonde, e ele disse “na Salim, quer dizer, Anhaia Melo”.

Aí não pude deixar de falar do Auto e de que jogamos na Salim, no “campo do Mixto”.

E ele não me vira e diz que jogou no Mixto?

E no Vila Paulina também!

Falei que eu conhecia o Fernando, ele mandou um abraço.

E foi indo embora junto comigo até a rua, perguntando no caminho umas 5 vezes que horas jogávamos.

- Das 10h às 13h.

- Olha, rapaz, se eu puder eu dou uma passadinha lá, hein?

- Passa sim, Toninho [olha a intimidade já], que aquele meu amigo palmeirense vai ficar muito feliz em te ver! Ele é nosso zagueiro lá.

- Legal, como é o nome dele? 

- Leandro.

- Leandro… fala pra ele que vou estar orando por ele. Ele é meio nervosinho, não?

- Não, até que é calmo. É daqueles zagueiros que tem categoria.

- Olha, rapaz, que bom. Que horas que vocês jogam mesmo?

- 10h, Toninho. Se você aparecer, pode até jogar conosco!

- É, aí eu brinco um pouquinho, né?

E se foi.

Prometendo que volta semana que vem.

Enquanto isso, fico torcendo pra ele aparecer sábado, conhecer o Auto, comer um churrasco.

Quem sabe não ganhamos um novo meia-esquerda?

E com passagem pela seleção brasileira ainda!

Grande Toninho, companheiro de trabalho, meu amigo Toninho, hehehe.

E assim meu rol de amizades subcélebres cresce a cada dia…

A paz verde e o furor alvinegro

Segunda foi aniversário do Felipão, e teve mais bebemoração.

(É, setembro sempre tem um monte de aniversário porque em janeiro a galera tá de férias e de ressaca das festas de fim de ano e faz sexo com, digamos, menos cuidado do que deveria.)

Durante a velha e boa conversa-de-bar-em-dia-de-aniversário, que também é dia de reunir a galera que não se vê faz um tempinho em pleno dia de semana, três assuntos foram dominantes: o Autônomos, já que o Felipão é o camisa 6 do Auto A; o Corinthians, já que o Felipão é corinthiano; e a sustentabilidade, já que a mesa só tinha geógrafos nerds e dois deles – Júnior e Rê – tinha ido a um show lindjo no fim de semana, “About us”, onde artistas bacanérrimos ensinavam a moçada a “consumir sustentavelmente”. 

Teve também o Paulão contando as peripécias dele como padrinho de um casamento que contava até com um Timmy, o que foi bem engraçado.

Mas essa enrolação toda é só o contexto pra dizer que nessa onda de fazer tatuagens novas eu acabei tendo um momento nostalgia punk e terça vim pro trabalho ouvindo Dead Fish.

Dead Fish que é uma banda interessante.

Primeiro porque, na minha opinião, é uma das melhores bandas punks do Brasil.

Segundo porque eu sou amigo do Rodrigo, o vocalista, e isso já causou muuuuuuita confusão. 

Uma vez, uma amiga veio em casa me cumprimentar no meu aniversário. Eu morava ‘cos punk’, e o Rodrigo volta e meia tava lá. Daí que nesse dia ele chega e me cumprimenta, dá uma zoada, eu devolvo e percebo que a mina tá pálida de susto.

Ele vira as costas e vai embora e ela balbucia:

- É… o… o… 

- É.

- Nossa…

- Ih, relaxa, é um cara como qualquer outro.

Mas não adiantou, a cara dela continuou de susto até ir embora, algo como “nossa, o Rodrigo do Dead Fish vem aqui nessa casa tosca e ainda é amigo do Mandioca???”.

Porra, eu conheço o cara bem antes da fama toda. Vira e mexe vou em jogo do Corinthians com ele (ou melhor, ele vai comigo), fui num jogo do Flamengo – o time dele – também, e quando a gente se encontra na rua pára (ei, Houaiss, você já sabe a rima) pra bater um papo.

Então, pra mim, ser amigo dele não é nem motivo pra contar pra todo mundo, “olha que legal, sou amigo de um cara famoso”, e nem motivo pra esconder de todo mundo, “putz, que merda, vão achar que eu lambo o saco do cara só porque ele é famoso”.

Aliás, isso dele ser famoso é meio que algo não-processado na minha mente. Eu vejo ele na TV e não encaixa, é bizarro. Mas enfim, dá sempre pra zoar com ele, como quando alguém pede autógrafo na rua ou quando estávamos conversando no ponto de ônibus e um bando de emos punks mirins ficou olhando e apontando e ele ficou todo sem graça. Divertido.

(OK, eu também já fui punk mirim, mas sei lá se sou eu ou se “na minha época” a  relação entre o cara que toca e o que assiste era muito mais de igual pra igual e menos espetaculosa do que hoje dentro do punk. 

Tá, 10 anos atrás não é tanto tempo assim, mas na “modernidade líquida” tudo voa muito rápido – diz aí, você se lembra o que tinha antes no lugar desse prédio bacana que construíram no seu bairro?)

Enfim, eu curto Dead Fish e acho as letras, principalmente do “Sonho Médio”, muito boas.

Daí que vim escutando e quando chegou em “Paz Verde” eu não pude deixar de lembrar da sustentabilidade de segunda:

(…)

Não me venha com retórica terceiro mundista 
seu incompetente miscigenado, 
a culpa não é do capital! 
O meu império ecologista sabe lucrar, 
sabe vender e o que é melhor, 
a selva foi internacionalizada. 
Índio iludido pensou que fosse melhorar, 
todas as bandeiras (do G7) estavam lá! 
Mas o que se viu foi mais uma divisão,
os índios tiveram que financiar suas ocas em bancos silvestres. 

(…)

E aí vieram outras músicas e eu fui reparando, ou melhor, lembrando de como as letras são muito bem construídas e tem mensagens bem claras e, o que é melhor, elaboradas – não são aquela velha fórmula punk do “foda-se o sistema, abaixo a igreja”.

Só que antes, nos meus 18 aninhos, eu escutava e pensava, “gênios!”. Hoje eu escuto e penso, “é, eles souberam fazer algo minimamente bem feito, que fica na cabeça e ao mesmo tempo é forte”.

Tudo bem, tem horas que o Rodrigo dá uma forçada – “sooooou um cidadãããããão” e coisas assim – mas no geral a banda é boa e desperta um sentimento revoltado de classe média legal de “vambora fazer alguma coisa”.

O problema é quando esse sentimento é despertado em um virginiano paranóico impulsivo que sempre às vezes perde o bom senso, como eu.

Então, no meio disso tudo, me veio um insight que me disse o que eu devo ser na vida:

presidente da Gaviões da Fiel.

Não porque eu sou o gênio que vai revolucionar a torcida, mas porque… sei lá, porque eu sou pró-ativo, gosto de manipular organizar as coisas e acho que seria um bom presidente, sendo que por presidente eu não entendo o cara que tem privilégios sobre o resto, e sim o cara que tem a maior responsa de todas, um mediador de conflitos, um relações públicas que só se fode.

Empolgado, fui correndo contar a novidade pra minha futura assessora de imprensa, a Lelê.

Liguei pra ela – a cobrar, lógico, que presidente pode – e contei da minha nova ambição. 

Primeiro ela riu, mas depois que viu que eu estava falando sério me chamou de doido e disse que vai tentar me apoiar. 

Que bom, uma das dez blogueiras mais bonitas do Brasil-il-il tá do meu lado, já é um começo.

Fora que eu posso usar ela como musa da torcida corretora ortográfica – apesar do Houaiss ter fodido a bagaça geral e liberado o ‘é nóis’ – e, quem sabe, rainha da bateria.

O que uma tatuagem, uma bebemoração sustentável e algumas musiquinhas encanta-garotinho-punk somadas à total falta de bom senso e incapacidade geral de discernimento não fazem com a gente, né?

Ainda bem que eu tenho amigos na Gaviões e quando fui contar pra eles me encheram tanto a paciência me chamando de presidente e pedindo solução pros milhões de problemas internos da quadra que quase me fizeram desistir do meu sonho.

Mas não conseguiram.

Sabe como é, I have a dream e coisa e tal.

Aliás, me ajudaram a perceber que eu preciso bolar um passo-a-passo “como ser presidente da Gaviões”.

Depois deixo de tutorial pra quem eu achar que merece.

Mas como sou bonzinho e a favor da informação livre, libero já o primeiro passo, imprescindível, que serve pra fazer o sonhador pisar de novo no chão e encarar a necessidade de ser pragmático – coisa que eu ainda não fiz.

Passo 1: ficar sócio da Gaviões…

Toninho Vanusa

Quinta-feira, dia de trabalho incomum: um monte de processos para tramitar.

De repente, aparece um senhor no balcão, cabelos grisalhos, e pergunta:

- Por favor, o Valdemar tá aí?

- Valdemar, motorista? Pera aí.

- Fala pra ele que é o Toninho que tá procurando ele, o Toninho que jogou no Palmeiras.

Uma luzinha de entusiasmo acendeu na minha cabeça. Enquanto meu companheiro de trabalho procura o Valdemar na copa, eu pergunto:

- O senhor jogou no Palmeiras?

- Sim. Palmeiras, Juventus e Vasco.

- Quando?

- Em 76, 77…

Nisso, alguém o chama e ele vai até a copa atrás do Valdemar. Penso que perdi uma boa conversa e vou procurar na internet por algum Toninho no Palmeiras em 76. Segundos depois ele volta. Com o Valdemar. E diz:

- Esse aqui, ó, um grande central!

- Que nada, ele que era um puta meia-esquerda!

Eu aponto uma foto no computador e pergunto:

- O senhor é esse aqui? Jogou com o Ademir?

- Joguei, eu era reserva dele. Mas esse não sou eu, eu sou outro Toninho. O Vanusa.

E começou a contar as suas histórias.

Jogou no Palmeiras até que um carrinho fez com que caísse sobre o braço – que hoje não mexe mais direito – e tivesse fratura exposta. Daí foi pro Juventus e pro Vasco.

Quando criança, era engraxate e fazia “70 centavos por dia”, segundo ele. Até que um dia um dos homens que com ele engraxava os sapatos o viu fazendo embaixadinhas e pediu pra fazer mais.

Juntou gente.

E ele voltou pra casa com 5 cruzeiros.

O pai, claro, perguntou de onde tinha vindo “tanto” dinheiro. Ele disse a verdade. Achou que ia apanhar.

Mas o pai, ao invés disso, contou um segredo: tinha sido meia-esquerda do Madri da Mooca.

“Um dos maiores”.

Seu tio, irmão do pai, tinha jogado no Corinthians na década de 20 – Joãozinho. Amputou as duas pernas.

Seu pai amputou uma.

Uma época em o futebol não tinha contusões com finais tão “felizes” quanto as do Fenômeno. 

E também não dava dinheiro: Toninho Vanusa prestou concurso do então INPS e virou servidor público. Passou a jogar pelo time do Instituto. E lá conheceu o Valdemar.

Depois de mostrar a habilidade que tinha com a pelota fazendo alguns malabarismos com uma bola imaginária, não tive outra saída: pedi um autógrafo.

- Para um grande amigo meu, palmeirense fanático.

- Você não é palmeirense?

- Não não, sou corinthiano.

- EU TAMBÉM! E fanático!

Guardei o autógrafo e tratei logo de registrar sua história. Não é todo dia que se conhece um ídolo do futebol alternativo assim, sem mais nem menos.

Pena não ter tirado uma foto. Mas ele disse que ficará em São Paulo – ele mora em Bebedouro – o mês inteiro, já que está cuidando da mãe doente.

E assim se foi, o reserva de Ademir, dialeticamente corinthiano e palmeirense, presente na mítica final do Brasileirão de 78.

E que – descobri depois – devia ser bom de bola mesmo. 

Basta conferir as fotos abaixo pra atestar:

Año de la mujer peruana. Campeonato Sud Americano de Futbol Juvenil. Huampani. Agosto de 1975, Peru.

Em pé estão: Éder, Tião Marçal, Carlos Alberto Barbosa, Toninho Vanusa, Everaldo e o goleiro Carlos. O jogador agachado é Celso Freitas. O foto foi tirada em agosto de 1975, no Peru. Era o Campeonato Sul-Americano Sub-21. Na parte de baixo observe a seguinte legenda, em espanhol: Año de la mujer peruana. Campeonato Sud Americano de Futbol Juvenil. Huampani. Agosto de 1975, Peru.

Este Palmeiras venceu o Inter de Porto Alegre por 2 a 0 em 3 de agosto de 1978 no Morumbi. O jogo valeu pela semifinal do Campeonato Brasileiro e teve a presença de 59.495 pagantes. Toninho marcou os dois gols. Em pé estão Rosemiro, Leão, Beto Fuscão, Alfredo, Pires e Pedrinho; agachados vemos Silvio, Jorge Mendonça, Toninho, Escurinho e Toninho Vanusa

Este Palmeiras venceu o Inter de Porto Alegre por 2 a 0 em 3 de agosto de 1978 no Morumbi. O jogo valeu pela semifinal do Campeonato Brasileiro e teve a presença de 59.495 pagantes. Toninho marcou os dois gols. Em pé estão Rosemiro, Leão, Beto Fuscão, Alfredo, Pires e Pedrinho; agachados vemos Silvio, Jorge Mendonça, Toninho, Escurinho e Toninho Vanusa

Chico (massagista), Jarbas, Marcelo Oliveira, Luiz Carlos Gaúcho, Cláudio Adão e Toninho Vanusa.

Seleção Brasileira Juniores campeã de Cannes (França) em 1974. Em pé: Vanderlei Luxemburgo, Walter, Xáxa, Batista, Carlos e Carlinhos. Agachados: Chico (massagista), Jarbas, Marcelo Oliveira, Luiz Carlos Gaúcho, Cláudio Adão e Toninho Vanusa.

 

Em tempo: se alguém quiser comprar um card dele, é só clicar aqui.

Fonte das fotos:

 http://desenvolvimento.miltonneves.com.br/qfl/Conteudo.aspx?id=60473

Thammy Gretchen e eu

Por ocasião do meu aniversário, venho aqui brindá-los com algo especial.

Todo ano algum filho da puta me lembra que eu faço aniversário no mesmo dia do Maluf. É, do Maluf, o mesmo que interrogou minha mãe no DEOPS, construiu o Minhocão, o SUS, a Casa Branca, o Oceano Atlântico, Júpiter e todos os seus satélites naturais e que hoje concorre a prefeito desta cidade lixo.

E todo ano eu passo alguns minutos deprimido no meu aniversário por conta disso.

Pra me animar, eu costumo lembrar da Thammy Gretchen.

Porque ela é bonita? Não, TÁ LOUCO?

Porque ela é gostosa? Até é, mas também não.

Acontece que a grande Thammy nasceu no mesmo dia, mês e ano que eu.

É, isso aí, 03/09/1982.

Quer mais?

Pois bem: ela nasceu no mesmo hospital também.

Ainda não se satisfez?

Então tá.

O primo da minha mãe é… tio dela. 

Então, de certa forma, eu sou parente da Thammy.

Grandes merdas, eu sei. Ela é só uma subcelebridade oportunista que ganhou dinheiro assumindo ser homossexual publicamente e aparecendo pelada em “revista de homem”. Mas acontece que, este ano, ela tentou seguir o caminho do Maluf e entrar pra política.

Olha no que deu:

Thammy Vereadora? FAIL!

Pois é. 

Eu si divirto.

E pra terminar o post “(sub)celebridades de 03/09″, a nota triste: enquanto eu dormia feliz pelo aniversário “legal” que tive ontem (festa no trabalho, cinema, festa em casa, amigo que eu não via faz tempo passando pra dar parabéns), a nação perdia um de seus maiores ídolos:

Waldick Soriano.

Isso sim que é visual.

Isso sim que é visual.

Descanse em paz.

“Eu não sou cachorro não…”