E mais uma vez, continuando uma tradição de mais de 500 anos, a Europa nos fodeu.
Disseram que o mundo ia acabar ontem pra depois noticiar que ainda vai demorar 60 dias.
Resultado?
Deu tempo de ver aquela MERDA de jogo da seleção ontem.
Quer dizer, ver uma parte, que eu não sou de ferro e lá pelos 20 do segundo dormi. Profundamente.
Sorte que pelo menos a Argentina se fodeu com o Peru no rabo e ainda estamos na frente dos hermanos.
Mas como toda a mídia “especializada” já vai perder seu tempo provando o óbvio – que o Dunga não é técnico nem pro XV de Julho de Piripiri – eu vou aproveitar aqui pra falar de algo mais interessante.
Porque o jogo foi tão ruim que é capaz da galera esquecer que hoje é 11 de setembro. Aniversário de 7 anos dos ataques ao WTC e de 35 anos do golpe de estado no Chile.
Eventos que mudaram a humanidade.
E como costumamos ser bem ruins de História – ontem uma mulher no ônibus perguntou ao seu querido amante: “Porquê Terminal Dom Pedro Segundo? Onde é o Primeiro?” – resolvi colocar aqui um texto sobre o que os jovens chilenos estão fazendo para lembrar a data e tudo que ela envolve – ditadura, tortura, repressão e todas essas coisas boas do mundo moderno.
Leiam:
[Chile] Setembro Negro. Há 35 anos do Golpe de Estado, não se acendem velas pelos caídos, mas barricadas
[Em 1 de setembro a juventude combativa e subversiva chilena levantou barricadas do lado de fora da Universidade do Chile e lutou contra a polícia das Forças Especiais com coquetéis molotov e pedras, enfrentando carabineiros que usaram revólveres e gás lacrimogêneo. Há dez anos atrás, num 11 de setembro, Claudia López, uma mulher anarquista, estudante e bailarina, foi assassinada pela polícia quando protestava durante uma comemoração do Golpe de Estado de 1973 no Chile. Sob o lema de Setembro Negro, a juventude combativa chilena luta, em seu nome e de todos os assassinados na democracia, contra o bastardo que a matou, fazendo que o mundo recorde que estamos vivendo em guerra. Claudia, o fogo não te esquece, o fogo não pode ser esquecido.]
> Comunicado que circulou pela internet <
Esta manhã, por volta das 11h, um grupo de aproximadamente 60 encapuzados saíram às ruas rompendo a paz social que invadia o bairro universitário “Macul con Grecia’, para mostrar ao Estado e aos seus aparatos repressivos que na memória daqueles que lutam dia após dia está a lembrança daqueles que morreram fazendo o mesmo.
Enquanto, como todas as segundas-feiras na faculdade de Filosofia e Humanidades da Universidade do Chile (Univesidad de Chile), os estudantes preparavam-se para enfrentar uma nova semana cheia de provas e trabalhos, um grupo de estudantes encapuzados ocupou a rua com pneus e escombros. Eles bloquearam o tráfego de veículos para reivindicar a memória daqueles que foram assassinados pelos “pacos” (forma como o povo se refere informalmente aos policiais e militares no Chile) durante a ditadura militar e estes anos de suposta democracia. Os encapuzados fizeram um chamado ao povo em geral para reforçar a violência da resistência no próximo 11 de setembro para superar, assim, o sucesso alcançado no ano passado, quando foi cobrada vingança pelo assassinato do cabo Vera em Pudahuel Sur.
Os combatentes interromperam o trânsito na Grécia com Ignacio Carrera Pinto nos arredores da faculdade por cerca de 10 minutos. Imediatamente dois motoristas da polícia, que certamente estavam investigando a região, apareceram com sua prepotência típica dos matadores, se transformando no alvo dos estudantes. Diante dessa situação, os estudantes encapuzados atacaram de maneira violenta (da mesma maneira que os “pacos” assassinaram Claudia Lopez, Alex Lemún, Jhonny Cariqueo, Rodrigo Cisternas etc) utilizando bombas molotov, pedras e paus. Ao perceberem que estavam sem saída, os repressores voltaram ao veículo e fizeram uso de suas armas de serviço apontando-as diretamente aos manifestantes (para a cabeça, exatamente) tentando, inclusive, vários disparos, mas por sorte a arma estava “atolada”.
Logo em seguida chegaram os demais veículos da Forças Especiais, dos quais desceram vários “pacos”, e fazendo uso de todos os privilégios que a lei lhes proporciona, atacaram com bombas de gás lacrimogêneo diretamente no grupo de encapuzados, ferindo várias pessoas.
Depois de mais de uma hora de intenso combate e em um clima repleto de gás lacrimogêneo – que fazia o ar irrespirável -, os encapuzados abandonaram o campus recordando que o combate pelos caídos é constante e deve ser reproduzido nas Universidades, Povoados, em todos os lugares a serem ocupados pelo proletariado.
Além disso, nesse ano se completam 10 anos do assassinado de Claudia Lopez Benaiges, uma estudante de Dança da Universidade Academia de Humanismo Cristiano, morta no dia 11 de Setembro de 1998 pelo Estado repressor através dos “pacos”, no povoado “La Pincoya”.
É por isso que esta ação e todas as que virão são uma homenagem aqueles que vivem para sempre, aqueles que não temem à morte porque crêem que o capitalismo não ganhou nem nunca o fará. O 11 de Setembro não se chora, se combate! Que se reproduza e se intensifique a violência da resistência em todos os pontos do país! O medo dos poderosos é a força do povo.

Jovem fazendo bom uso de uma garrafa de Coca-Cola
Mais fotos: http://www.hommodolars.org/web/spip.php?article675
Tradução > MCarol Recôndita
Fonte: ANA – Agência de Notícias Anarquistas