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ScuG Manifesto

Há uns 4 anos atrás, eu lancei o número zero de um zine que se chamava “Alice”.

O subtítulo era “masculino e feminista”.

A idéia era manter uma publicação independente feita por homens feministas.

Não saiu do lugar, porque não encontrei outros homens dispostos a escrever sobre isso.

Esses dias, estava dando uma olhada no meu email e não só achei o zine como um outro texto que escrevi à época e não publiquei.

Há um livro muito famoso entre xs feminstas chamado “SCUM Manifesto – uma proposta para a destruição do sexo masculino”. Um livro bom, aliás.

Foi baseado nele que escrevi o texto abaixo.

Um tema que, volta e meia, me incomoda novamente. Porque na verdade está sempre incomodando, mesmo quando eu não lhe dou atenção – na vã tentativa de sufocá-lo.

scuG manifesto – um esboço para uma proposta de destruição dos gêneros
Houve quem disse, quando o menino nasceu, que ele seria jogador de futebol. ‘Dá pra ver pelo jeito como ele chuta’, brincaram o médico, o tio, a
mãe, o pai. A menina, por sua vez, tão graciosa, com certeza seria bailarina. De olhos tão lindos…
Mas as crianças agora cresceram e se deparam com dificuldades. Ele, mais desengonçado que parto de girafa, não leva o mínimo jeito pro futebol
- nem ‘catar no gol’ consegue. Ela, desastrada como um búfalo manco, quebra pelo menos dois copos por mês – a mãe já não aguenta mais remendar suas
calças. São crianças, mas as broncas e as expectativas sobre elas já fazem com que se sintam meio desconfortáveis. Terão de aprender a seguir o modelo
de acordo com seus órgãos genitais, seus hormônios e seus (quase desconhecidos) corpos. São escravos de uma construção de gêneros que em nada tem
a ver com suas vontades, interesses, amizades, impulsos e mesmo sentimentos. As chances de serem adultos frustrados que repetem o ciclo são enormes – e
é aí que a reprodução da complexa estrutura de poder entre masculino e feminino se garante. Uma estrutura que se acomoda nas mais estreitas entranhas de
todo o ‘corpo social’ – ou, para sermos menos abstratos, que se coloca entre eu e você. A toda hora. A todo momento. A cada troca de olhares, a cada
coçadinha no saco, a cada unha pintada.
Se sentir mal por representar um papel forçado, uma camisa de força tida como natural, transforma qualquer possibilidade de ir além do outro
gênero uma viagem dolorosa. Cada espaço funcional da cidade espera de seus atores que declamem suas falas corretamente. As ações estão
devidamente engavetadas, coisas de homem e coisas de mulher, e quem as trespassa está agindo como uma bicha louca ou um sapatão. Mas, espere aí: se
é exatamente agir de acordo com o que queremos, o que sentimos e com o que e quem nos sentimos bem o que nos dá a sensação de sabermos nosso
lugar no mundo, então são os espaços que devem mudar, e não nós; quem deve ditar os papéis somos eu e você, e não nossos falos ou vulvas. Espaços
são também percepções individuais, o meu, o seu, o nosso; e se ser como e o que eu quero ser me deixa desconfortável em qualquer espaço, eles é que
devem ser destruídos, não eu.
O que estou tentando dizer é que todo espaço, desde a sua cama até uma rua qualquer, é um espaço de gênero. Uma afirmação um tanto forte,
mas de observações vazias e óbvias quem vive atualmente é a ciência, ou o que gosta de chamar de ciência aqueles que dela se utilizam para exatamente
manter esses espaços. A ‘cidade do capital’ é um espaço de gênero, e a MENTALIDADE do urbesino habitante dessa cidade segue a lógica espacial da
sua construção. Mais: todo espaço na cidade foi construído pela mão masculina do capital, embora muitos deles sejam subvertidos durante algum ou muito
tempo. Sim, existem subversões espaciais, e é basicamente através delas que eu acredito que pode existir uma desconstrução de gêneros.
Imagine como seria se você, ser humano com saco escrotal, fosse abordado por outro ser humano com a mesma peculiaridade biológica e não
soubesse se ele realmente só quer um cigarro ou se existem segundas intenções – mulheres, sigam a lógica trocando ‘saco escrotal’ por ‘vulva’. Imagine se
essa sensação de não saber o que o outro realmente quer não lhe incomodasse, ao contrário: lhe trouxesse perspectivas e até, vez ou outra, te deixasse de
pinto duro. ‘Ah, mas isso já acontece em qualquer balada gay’; é verdade. Embora estas situações aconteçam também em espaços destinados a elas,
espaços onde são permitidas e absorvidas pela própria estrutura que as sufoca (a Parada Gay é o maior exemplo disso), não deixam de ser afrontas à regra.
Mas imagine se isso acontecesse em todo e qualquer lugar e a qualquer momento. Em qualquer espaço. Imagine homens se beijando ao seu lado no vagão
do metrô, e mulheres conversando sobre sexo anal. Filmes com transsexuais como personagens principais. Sua namorada te penetrando com um cinto de
borracha. Sexo no meio da rua. Se essa perspectiva superficial de uma outra realidade supostamente ‘sem gênero’, ‘sem moral’ e sem lugar já te deixa todx
embaralhadx, talvez até excitadx (não necessariamente num sentido sexual), pensar que HOJE essas coisas já acontecem (mesmo que em lugares
escondidos da ‘normalidade urbana’) nos leva ao (talvez central) ponto desta discussão: a identidade.
Valores, tradições, cultos e mitos nos servem para nos ajudar a descobrir o que somos. Ajudam a nos encaixar neste ou naquele grupo, mesmo
que hoje a tal da ‘pós-modernidade’ – ou os efeitos da transformação das culturas todas em mercadoria – tenha levado todos os conteúdos a se tornarem
formas quase sempre superficiais. Nos identificamos com este ou aquele grupo e, assim, passamos a pertencer a ele – e ele a nós. A questão do gênero não
deixa de seguir esta lógica. Só que a dicotomia/complementaridade homemXmulher carrega em si algo a mais, algo peculiar: JÁ NASCEMOS CONFINADOS
A SEGUIR ESTE OU AQUELE LADO. E é aí que a identidade começa a se partir, a conflitar, a se confundir. Eu tenho pinto, então devo jogar bola, mas todas
as imagens de bonecas e vestidinhos me deixam loucos de vontade de brincar com elas; pra que lado correr, se meu sexo, atrelado a uma concepção
‘universal’ de gênero, diz uma coisa, e minhas vontades dizem outra? Se meu cérebro, quimicamente, borbulha por um carrinho e não por dançar balé, devo
enfrentar a mim mesma ou aos meus pais, que me querem como uma menininha delicada? Se hoje, destruir completamente as noções de gênero nos deixaria
perdidos identitariamente, então o caminho para uma suposta liberdade passa também pela descontrução das identidades pré-concebidas. Dã, que
conclusão óbvia: o que seria o gênero, social, cultural e politicamente falando, senão um AGREGADO DE VALORES IDENTITÁRIOS CONSTRUÍDOS E
MUTADOS DE ACORDO COM A NECESSIDADE DE DEFESA DA ESTRUTURA DE PODER CRIADA COM BASE NESTES MESMO VALORES?
Acabar com os gêneros é acabar com séculos de história; HOJE, é acabar com a lógica da reprodução capitalista – das mercadorias e,
principalmente, dos valores. Reparem: estou propondo nada mais nada menos que o fim da cultura, ou pelo menos DESTA cultura – machista e falocêntrica. É
enfrentar espancamento e violência, separação, reclusão, exclusão. Tarefa que cada travesti, cada lésbica, cada gay acaba carregando com si, mesmo que
não perceba, mesmo que lute ‘apenas’ por poder comprar no shopping sem ser atacado – enquanto eu e você, amigo homem, estamos aqui sentados
pensando que estupro é questão de distúrbio psicológico apenas.

ScuG Manifesto – um esboço para uma proposta de destruição dos gêneros

Houve quem disse, quando o menino nasceu, que ele seria jogador de futebol. ‘Dá pra ver pelo jeito como ele chuta’, brincaram o médico, o tio, a mãe, o pai. A menina, por sua vez, tão graciosa, com certeza seria bailarina. De olhos tão lindos…

Mas as crianças agora cresceram e se deparam com dificuldades. Ele, mais desengonçado que parto de girafa, não leva o mínimo jeito pro futebol – nem ‘catar no gol’ consegue. Ela, desastrada como um búfalo manco, quebra pelo menos dois copos por mês – a mãe já não aguenta mais remendar suas calças. São crianças, mas as broncas e as expectativas sobre elas já fazem com que se sintam meio desconfortáveis. Terão de aprender a seguir o modelo de acordo com seus órgãos genitais, seus hormônios e seus (quase desconhecidos) corpos. São escravos de uma construção de gêneros que em nada tem a ver com suas vontades, interesses, amizades, impulsos e mesmo sentimentos. As chances de serem adultos frustrados que repetem o ciclo são enormes – e é aí que a reprodução da complexa estrutura de poder entre masculino e feminino se garante. Uma estrutura que se acomoda nas mais estreitas entranhas de todo o ‘corpo social’ – ou, para sermos menos abstratos, que se coloca entre eu e você. A toda hora. A todo momento. A cada troca de olhares, a cada coçadinha no saco, a cada unha pintada.

Se sentir mal por representar um papel forçado, uma camisa de força tida como natural, transforma qualquer possibilidade de ir além do outro gênero uma viagem dolorosa. Cada espaço funcional da cidade espera de seus atores que declamem suas falas corretamente. As ações estão devidamente engavetadas, coisas de homem e coisas de mulher, e quem as trespassa está agindo como uma bicha louca ou um sapatão. Mas, espere aí: se é exatamente agir de acordo com o que queremos, o que sentimos e com o que e quem nos sentimos bem o que nos dá a sensação de sabermos nosso lugar no mundo, então são os espaços que devem mudar, e não nós; quem deve ditar os papéis somos eu e você, e não nossos falos ou vulvas. Espaços são também percepções individuais, o meu, o seu, o nosso; e se ser como e o que eu quero ser me deixa desconfortável em qualquer espaço, eles é que devem ser destruídos, não eu.

O que estou tentando dizer é que todo espaço, desde a sua cama até uma rua qualquer, é um espaço de gênero. Uma afirmação um tanto forte, mas de observações vazias e óbvias quem vive atualmente é a ciência, ou o que gosta de chamar de ciência aqueles que dela se utilizam para exatamente manter esses espaços. A ‘cidade do capital’ é um espaço de gênero, e a MENTALIDADE do urbesino habitante dessa cidade segue a lógica espacial da sua construção. Mais: todo espaço na cidade foi construído pela mão masculina do capital, embora muitos deles sejam subvertidos durante algum ou muito tempo. Sim, existem subversões espaciais, e é basicamente através delas que eu acredito que pode existir uma desconstrução de gêneros.

Imagine como seria se você, ser humano com saco escrotal, fosse abordado por outro ser humano com a mesma peculiaridade biológica e não soubesse se ele realmente só quer um cigarro ou se existem segundas intenções – mulheres, sigam a lógica trocando ‘saco escrotal’ por ‘vulva’. Imagine se essa sensação de não saber o que o outro realmente quer não lhe incomodasse, ao contrário: lhe trouxesse perspectivas e até, vez ou outra, te deixasse de pinto duro. ‘Ah, mas isso já acontece em qualquer balada gay’; é verdade. Embora estas situações aconteçam também em espaços destinados a elas, espaços onde são permitidas e absorvidas pela própria estrutura que as sufoca (a Parada Gay é o maior exemplo disso), não deixam de ser afrontas à regra. Mas imagine se isso acontecesse em todo e qualquer lugar e a qualquer momento. Em qualquer espaço. Imagine homens se beijando ao seu lado no vagão do metrô, e mulheres conversando sobre sexo anal. Filmes com transsexuais como personagens principais. Sua namorada te penetrando com um cinto de borracha. Sexo no meio da rua. Se essa perspectiva superficial de uma outra realidade supostamente ‘sem gênero’, ‘sem moral’ e sem lugar já te deixa todx embaralhadx, talvez até excitadx (não necessariamente num sentido sexual), pensar que HOJE essas coisas já acontecem (mesmo que em lugares escondidos da ‘normalidade urbana’) nos leva ao (talvez central) ponto desta discussão: a identidade.

Valores, tradições, cultos e mitos nos servem para nos ajudar a descobrir o que somos. Ajudam a nos encaixar neste ou naquele grupo, mesmo que hoje a tal da ‘pós-modernidade’ – ou os efeitos da transformação das culturas todas em mercadoria – tenha levado todos os conteúdos a se tornarem formas quase sempre superficiais. Nos identificamos com este ou aquele grupo e, assim, passamos a pertencer a ele – e ele a nós. A questão do gênero não deixa de seguir esta lógica. Só que a dicotomia/complementaridade homemXmulher carrega em si algo a mais, algo peculiar: JÁ NASCEMOS CONFINADOS A SEGUIR ESTE OU AQUELE LADO. E é aí que a identidade começa a se partir, a conflitar, a se confundir. Eu tenho pinto, então devo jogar bola, mas todas as imagens de bonecas e vestidinhos me deixam loucos de vontade de brincar com elas; pra que lado correr, se meu sexo, atrelado a uma concepção ‘universal’ de gênero, diz uma coisa, e minhas vontades dizem outra? Se meu cérebro, quimicamente, borbulha por um carrinho e não por dançar balé, devo enfrentar a mim mesma ou aos meus pais, que me querem como uma menininha delicada? Se hoje, destruir completamente as noções de gênero nos deixaria perdidos identitariamente, então o caminho para uma suposta liberdade passa também pela descontrução das identidades pré-concebidas. Dã, que conclusão óbvia: o que seria o gênero, social, cultural e politicamente falando, senão um AGREGADO DE VALORES IDENTITÁRIOS CONSTRUÍDOS E MUTADOS DE ACORDO COM A NECESSIDADE DE DEFESA DA ESTRUTURA DE PODER CRIADA COM BASE NESTES MESMO VALORES?

Acabar com os gêneros é acabar com séculos de história; HOJE, é acabar com a lógica da reprodução capitalista – das mercadorias e, principalmente, dos valores. Reparem: estou propondo nada mais nada menos que o fim da cultura, ou pelo menos DESTA cultura – machista e falocêntrica. É enfrentar espancamento e violência, separação, reclusão, exclusão. Tarefa que cada travesti, cada lésbica, cada gay acaba carregando com si, mesmo que não perceba, mesmo que lute ‘apenas’ por poder comprar no shopping sem ser atacado – enquanto eu e você, amigo homem, estamos aqui sentados pensando que estupro é questão de distúrbio psicológico apenas.

Vídeos sensacionais e uma novela melhor ainda

Fora de Jogo no RS: vídeo emocionante feito pelo Davi:

Ramones assim VOCÊ NUNCA VIU:


Tá endireitando com a idade? Tome DIREITIL:


O Tigre e O Dragão + Escrava Isaura =


Mar de Paixão, uma novela de André Dahmer e Arnaldo Branco:

http://www.oesquema.com.br/mauhumor/2009/07/24/mega-teaser-multiplus.htm

Abraço de campeão

Eu tentei, juro que tentei.

Porque pensei nisso a semana toda.
O ano todo.
Desde 25 de janeiro.
Queria um título de pulos e abraços e sorrisos.
Mas não deu.
Quando Sálvio Spínola finalmente trilou o apito final, fui às lágrimas sem contenção.
Como uma criança.
Como em 1990.
2007, Série B, meu pai, tudo junto.
Saí do estádio com dor de cabeça. Exausto.
Feliz, e ao mesmo tempo sentindo falta.
De um abraço que sempre esteve aqui com o Corinthians.
Comigo e com o Corinthians.
Um abraço eterno.
Em nossos corações, em nossos corpos, em nossas memórias.
Ali, às 18h07 de 03 de maio último, eu sabia que mais de 25 milhões de pessoas estavam em êxtase.
Que os jogadores ergueriam a taça em instantes.
Que a torcida rumaria para a Praça Campos de Bagatelle.
Mas meus olhos não conseguiam sair do banco de reservas.
O mesmo, pai, onde você descansa.
O um a mais sempre que o placar anuncia o público presente.
O um a menos sempre que há jogo. Ou vida.
Faltou pouco para que eu pulasse o alambrado…
Domingo, o Corinthians ganhou seu 26° título paulista. O primeiro que assisti de forma invicta.
Nenhuma derrota.
Domingo, eu ganhei meu primeiro título órfão.
Nenhum abraço.
E todos eles juntos.
Domingo, voltei a ser criança.
E saí correndo pelas ruas de Pirituba, gritando “é campeão, pai!”.
Somos.
Invictos… e inseparávei

Porque pensei nisso a semana toda.

O ano todo.

Desde 25 de janeiro.

Queria um título de pulos e abraços e sorrisos.

Mas não deu.

Quando Sálvio Spínola finalmente trilou o apito final, fui às lágrimas sem contenção.

Como uma criança.

Como em 1990.

2007, Série B, meu pai, tudo junto.

Saí do estádio com dor de cabeça. Exausto.

Feliz, e ao mesmo tempo sentindo falta.

De um abraço que sempre esteve aqui com o Corinthians.

Comigo e com o Corinthians.

Um abraço eterno.

Em nossos corações, em nossos corpos, em nossas memórias.

Ali, às 18h07 de 03 de maio último, eu sabia que mais de 25 milhões de pessoas estavam em êxtase.

Que os jogadores ergueriam a taça em instantes.

Que a torcida rumaria para a Praça Campos de Bagatelle.

Mas meus olhos não conseguiam sair do banco de reservas.

O mesmo, pai, onde você descansa.

O um a mais sempre que o placar anuncia o público presente.

O um a menos sempre que há jogo. Ou vida.

Faltou pouco para que eu pulasse o alambrado…

Domingo, o Corinthians ganhou seu 26° título paulista. O primeiro que assisti de forma invicta.

Nenhuma derrota.

Domingo, eu ganhei meu primeiro título órfão.

Nenhum abraço.

E todos eles juntos.

Domingo, voltei a ser criança.

E saí correndo pelas ruas de Pirituba, gritando “é campeão, pai!”.

Somos.

Invictos… e inseparáveis.

Inesgotáveis.

Como um abraço de campeão.

Niemeyer e Hitchcock: entre pombos e cágados

Estava vendo uns vídeos no YouTube e me deparei com este ataque de um cágado, esse animal feroz e bestial, a um pombo pobre e indefeso e sujo e transmissor de AIDS, hepatite, gonorréia e gripe suína.
Aí me lembrei de uma cena de cinema que a Tate, amiga de Brasília, nos proporcionou certa vez.
Pros idos de 2003, estava eu na capital federal, essa cidade seca e horrível maravilhosamente planejada e arquitetonicamente detestável incrível. Tate me levou pra passear no Congresso, ver aquele bando de funcionário público roubando trabalhando honestamente 3 horas por dia.
Lá, está erguido a décima maravilha do mundo – a nona é o Minhocão: um pombal – isso mesmo, um ninho de pombos – construído pelo grandissíssimo Niemeyer.
(foto)
Você não está enganado: parece um pregador gigante.
Um pombal, como era de se esperar, junta pombos. Muitos pombos.
Eu e a Tate comíamos hamburguer – vegano, lógico – quando ela percebeu que uma pooobre pombinha tinha uma sacolinha plástica presa em sua pooobre asinha.
Tate era uma defensora dos animais. Uma ativista política vegana. Não podia deixar aquilo passar na sua frente.
E começou a tentar pegar a pooobre pombinha pra tirar a sacolinha de sua pooobre asinha.
Só que a pooobre pombinha era inteligente e fugia do contato humano – uma sacolinha na asa já era suficiente pra ela de presente daquela raça. E a Tate começou a ficar desesperada.
Eu tentei argumentar que a pooobre pombinha estava bem assim, a sacolinha era como um pára-quedas, um freio artificial. Ela era quase um Robocop, um Batman dos pombos, tinha um plus tecnológico que suas irmãs nunca teríam – ou até cruzarem o caminho de um humano, provavelmente.
Aposto que a pooobre pombinha da sacolinha plástica não seria devorada pelo cágado do começo da história.
Mas Tate estava decidida, e teve uma idéia: e se ela atirasse umas migalhas de pão dos nossos hamburgueres pra atrair a pooobre pombinha?
Não tinha porque não dar certo, não é mesmo?
Milhões de pombas + migalhas de pão, o que pode sair errado?
Bem… isto:
Aparentemente, Hitchcock teve inspiração pra escrever “Os Pássaros” depois de conhecer Brasília.
Fomos perseguidos por 1.000.000.000.000.000.000.000 de pombos a pé – ainda bem, porque se eles tivessem vindo voando a gente estaria todo coberto de cocô na merda.
Sorte que os pombos, como pode comprovar nosso amigo cágado, não são animais deveras inteligentes. E foi só a gente apertar o passo e jogar todos os pães no chão pedindo perdão dar a volta no pregador pra eles se perderem na perseguição.
Desde então, a Tate nunca mais tentou salvar uma pooobe pombinha.
Nem de sacolinhas, nem de cágados.
E eu ainda vou pendurar uma faixa naquele pregador escrito “ei, Niemeyer, você já sabe a rima”.

Estava vendo uns vídeos no YouTube e me deparei com este ataque de um cágado, esse animal feroz e bestial, a um pombo pobre e indefeso e sujo e transmissor de AIDS, hepatite, gonorréia e gripe suína.

Aí me lembrei de uma cena de cinema que a Tate, amiga de Brasília, nos proporcionou certa vez.

Pros idos de 2003, estava eu na capital federal, essa cidade seca e horrível maravilhosamente planejada e arquitetonicamente detestável incrível. Tate me levou pra passear no Congresso, ver aquele bando de funcionário público roubando trabalhando honestamente 3 horas por dia.

Lá, está erguida a décima maravilha do mundo – a nona é o Minhocão: um pombal – isso mesmo, um ninho de pombos – construído pelo grandissíssimo Niemeyer.

Você não está enganado: parece um pregador gigante. É a arte!

Você não está enganado: parece um pregador gigante. É a arte!

Um pombal, como era de se esperar, junta pombos. Muitos pombos.

Eu e a Tate comíamos hambúrguer – vegano, lógico – quando ela percebeu que uma pooobre pombinha tinha uma sacolinha plástica presa em sua pooobre asinha.

Tate era uma defensora dos animais. Uma ativista política vegana. Não podia deixar aquilo passar na sua frente.

E começou a tentar pegar a pooobre pombinha pra tirar a sacolinha de sua pooobre asinha.

Só que a pooobre pombinha era inteligente e fugia do contato humano – uma sacolinha na asa já era suficiente pra ela de presente daquela raça. E a Tate começou a ficar desesperada.

Eu tentei argumentar que foda-se a pooobre pombinha estava bem assim, a sacolinha era como um pára-quedas, um freio artificial. Ela era quase um Robocop, um Batman dos pombos, tinha um plus tecnológico que suas irmãs nunca teríam – ou ao menos até cruzarem o caminho de um humano, provavelmente.

(Aposto que a pooobre pombinha da sacolinha plástica não seria devorada pelo cágado do começo da história. )

Mas Tate estava decidida, e teve uma idéia: e se ela atirasse umas migalhas de pão dos nossos hambúrgueres pra atrair a pooobre pombinha?

Não tinha porque não dar certo, não é mesmo?

Milhões de pombas + migalhas de pão, o que poderia sair errado?

Bem… isto:

Aparentemente, Hitchcock teve inspiração pra escrever Os Pássaros depois de conhecer Brasília.Aparentemente, Hitchcock teve inspiração pra escrever Os Pássaros depois de conhecer Brasília.Aparentemente, Hitchcock teve inspiração pra escrever Os Pássaros depois de conhecer Brasília.Aparentemente, Hitchcock teve inspiração pra escrever Os Pássaros depois de conhecer Brasília.Aparentemente, Hitchcock teve inspiração pra escrever Os Pássaros depois de conhecer Brasília.

Aparentemente, Hitchcock teve inspiração pra escrever "Os Pássaros" depois de conhecer Brasília.

Fomos perseguidos por 1.000.000.000.000.000.000.000 de pombos.

Mas, ao contrário da imagem, a pé – ainda bem, porque se eles tivessem vindo voando a gente estaria todo coberto de cocô na merda.

Sorte que os pombos, como pôde comprovar nosso amigo cágado, não são animais deveras inteligentes. E foi só a gente apertar o passo e jogar todos os pães no chão pedindo perdão dar a volta no pregador pra eles se perderem na perseguição.

Desde então, a Tate nunca mais tentou salvar uma pooobre pombinha.

Nem de sacolinhas, nem de cágados.

E eu ainda vou pendurar uma faixa naquele pregador escrito “ei, Niemeyer, você já sabe a rima”.

***

PS.: Dedico este post à minha mãe, que atravessa a rua toda vez que há um pombo – ou qualquer outro animal voador – na mesma calçada que ela.

Mãe, compra um cágado!

Eu, o RG e a TV

E quando eu achava que tinha acabado a onda do RG Corinthians, recebi mais um convite:

participar do programa “Pra Você”, na TV Gazeta, segunda-feira, às 10h30, junto ao Cacá Rosset e à Andrea Pasquini (diretora do filme “Fiel”).

O tema do programa?

Corinthians, lógico. Campeão paulista, esperamos.

Assistam, gravem pra mim. É ao vivo, então a chance de falar coisas legais aumenta exponencialmente.

E vai Corinthians!

Você que é o Corinthians? ou O coração da metrópole

Dez minutos atrás, estou almoçando pizza em pedaço.

Quase no fim do último pedaço, um gordinho de azul senta do meu lado com seu amigo e fica me encarando.

Não dou bola. Ele levanta, olha pra mim e pergunta:

- Você que é o Corinthians?

- !?!? …oi???

- O Corinthians, que passou na RedeTV?

- É… sou eu.

- Também sou Corinthians, mano!!!

O amigo não entende, ele explica baixinho:

- Ele assinou Corinthians no RG.

O amigo sorri.

Levanto, rápido, que a pizza acabou mas a vergonha não, e me vou, tomando o resto da Coca-Cola.

Não sem antes dizer:

- Domingo “é nóis”, hein?

- É nóis, família!

Somos todos Corinthians, independentemente de ter um pedaço de papel escrito isso ou não.

***

Três minutos depois, voltando ao trabalho, um moleque de rua gordinho na Conselheiro Crispiniano levanta e vem na minha direção.

Estende a mão, cara de bravo, em direção à minha Coca. Ele não tem um braço.

- Vai, mano, dá essa Coca aí.

Meio perplexo e meio puto, paro, olho nos olhos dele e digo, com aspereza:

- Vamos com calma aí? 

O  moleque meio que se assusta e se rende, quase se desculpa:

- Vamos com calma. É que eu tô na maior neurose…

- Tranquilo. O lance é ter respeito, dos dois lados. Toma aí – e dou a Coca ainda pela metade pra ele.

- Valeu.

Almoçar – e viver, e trabalhar – no centro de São Paulo é sempre imprevisível, errante, quase uma aventura.

Cheia de situações complicadas como essa.

Dá pra falar em certo e errado? Politicamente correto, incorreto? Sentir culpa, dó, qualquer merda?

Só sei que eu dei a Coca não por ele ser um moleque de rua, nem por não ter um braço. Mas porque ele topou olhar nos meus olhos e trocar idéia, mesmo que tenham sido 10 segundos de idéia.

Aqui, no coração da metrópole, a gente aprende a desentupir as artérias um pouco a cada dia.

Sessenta

Hoje meu pai completaria 60 anos.

Amanhã completam-se 3 meses de sua morte.

Hoje eu faço 60 anos.

Amanhã, 59 e 9 meses.

Noventa dias parecem pouco perto de sessenta anos.

Mas casa segundo sem meu pai é uma eternidade. 

Tanto não dito nesses três meses…

Fui pra Argentina, pai. Duas vezes.

Assinei Corinthians no RG.

Ronaldo finalmente jogou. E como jogou.

Estamos na final do Paulista.

Não jogamos mais no Morumbi, só como visitantes. E nos dão apenas 10% dos ingressos.

Estou solteiro de novo.

Tenho mais uma filha, a Boquita. Achei ela na rua.

E hoje eu me formo.

Pra lembrar de você, e de quanto de você esteve e está em minha tese.

Sinto saudades demais. 

Às vezes choro no almoço. 

Não um choro desalentador, mas um choro ao mesmo tempo doído e gostoso.

Dos chutes na janela em Pirituba.

Das idas ao terrão do Corinthians – lembra quando joguei de meia-esquerda e ganhei a camisa de melhor em campo?

Do Pacaembu – embora lá você esteja sempre que eu vou.

Do boa noite de todos os dias.

Eu poderia escrever muito mais do que as 198 páginas da minha tese, só de lembranças suas. Mas prefiro guardá-las, pra revê-las aos poucos.

A cada beijo em você no braço direito antes de cada jogo.

A cada gol sem abraços, sem telefonemas, sem “você viu, que golaço?”.

A cada dia sozinho neste mundo.

Mas, apesar das palavras tristes, não se preocupe, pai. Estou bem.

Completando alguns sonhos, destruindo alguns outros, criando outros novos. 

Importando alguns seus.

Não sei direito se você pode me ver, ouvir ou escutar. 

Mas se puder, olhe pela janela no dia 31 de dezembro.

Estarei lá, como a gente combinou e não cumpriu.

Correndo a São Silvestre.

E vou chegar ao fim. Duas vezes.

Uma por mim, e outra por você.

Porque você sempre foi minha mão, meus olhos, minhas pernas, meu sangue quando precisei.

Nada mais justo do que eu agora ser seus pulmões.

Parabéns, pai.

Nos encontramos nos sessenta.

Todo dia.

Beijos,

Dan.

***

P.S.: Lu, chorar de saudade não é vergonha alguma. Mas lembre sempre que o pai tá aí, tá aqui, tá em todo lugar. E sempre vai estar. Espero te ver em muito breve, quem sabe eu não vou pra Austrália em julho?

Te amo, irmãzona!

Ainda a assinatura-Corinthians

É, a história de assinar Corinthians no RG deu pano pra manga mesmo.

Virou até matéria no G1, o portal de notícias da Globo. Leiam.

Graças à Débora Miranda, corinthiana como eu e inconformada como eu com a proibição da foto com a camisa do time.

Espero que agora a cambada que achava que a história era inventada passe a acreditar que eu sou louco mesmo.

Como todo o bando.

Loucura que rendeu essas três fotos fantásticas, tiradas pra entrevista pelo Daigo Oliva, amigo são-paulino que faz ótimas fotos da comunidade punk de São Paulo e mantém o Fodido e Xerocado, foto-fanzine exatamente com essa temática.

Crônicas portenhas – parte I

Voltei da terra da prata fazem uns dias já, mas só agora consegui me recompor para contar alguma coisa.

E como não dá pra ir à Argentina sem pensar em futebol, a saga começa com ele.

Então, senhoras e senhores, entra em campo a Seleção Brasileira que vai à Argentina defender as cores canarinhas.

Vamos à escalação do time.

No meio campo, organizando as jogadas com maestria, Leonor Macedo.

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No ataque, leve, feliz e saltitante como bom bambi que é, Alejandro Cuesta.

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Na defesa, cuidando para que o time esteja sempre seguro de sua posição (ou seja, o responsável pelos bilhetes do metrô), eu.

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E no gol, não deixando passar desaforo nenhum, Wandeko.

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Pois é, foram doze dias em terras hermanas. Doze dias de férias, azaração e uma galerinha da pesada aprontando muuuuita confusão… ou não.

Cerveja, isso sim, com certeza teve. Quilmes e Stella Artois de um litro mais calor: faça as contas.

E argentinos e argentinas, também, teve aos montes. Desfilando pelas ruas, uma verdadeira fashion week permanente. Haja olho azul nesse mundo. Embora parando pra pensar com calma tenha sido com eles que menos conversei – ao mesmo tempo em que quando encontrei uma argentina pra conversar… bem… maldito castellano-com-a-língua-entre-os-dentes, irresistível.

Mas o que importa é que foi divertido, um monte. Mesmo com alguns estresses. E tem tanta coisa pra contar que nem sei por onde começar… mentira, sei sim: La Bombonera.

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O estádio do Club Atletico Boca Juniors poderia ser resumido numa Rua Javari de três andares. O que, em jogo importante com casa cheia, deve ser monumental – com perdão do trocadilho. 

Mas, sinceramente, o que eu vi naquele Boca 3 – 0 Argentinos Juniors não foi muito diferente do que vejo por aqui num Corinthians 3 – 0 Marília no Pacaembu: uma hinchada que canta o tempo todo e o resto que sobe e desce junto com o jogo.

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E falando em Corinthians…

Parede da Bombonera

Parede da Bombonera

Fora do estádio, aí sim, outra história. Muito mais organização, ruas no entorno fechadas bem antes da hora do jogo, divisão de quem entra por qual portão sem haver tumulto, nem sequer um policial intimidador – ok, não estávamos no setor da La Doce, então isso conta – e muito comércio. O entorno do estádio do Boca é um típico lugar pra turista otário, onde você pode comprar mais caro a mesma coisa que compraria no centro de Buenos Aires três vezes mais barato. Aliás, toda Buenos Aires – capital federal – é um grande pega-turista.

Do jogo, ficaram duas impressões fortes: o respeito que se tem com o minuto de silêncio – a hinchada toda simplesmente cala por completo – e a adoração à Riquelme, preferido todo o tempo em relação ao deus maior xeneize Maradona.

Maradona, inclusive, que encontramos dando uma volta pelo Caminito, espécie de centro antigo do bairro da Boca:

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E já que saí do estádio pra falar do Caminito, vamos a ele.

Encantador, assim posso resumi-lo.

Uma rua antiga com casinhas coloridas, muito comércio de rua, restaurantes, estatuetas (aliás, estátua é o que não falta em Buenos Aires, lado a lado com bosta de cachorro). E muita adoração ao Boca Juniors:

Por lá tiramos muitas fotos, até uma com o Cartola:

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E encontramos um argentino que fez questão de homenagear o São Paulo (o vídeo não é nosso, mas ele fez igualzinho com a gente):

Agora, uma dica boa pra quem quer ir à Boca e à Bombonera sem se foder é chegar no estádio umas 5 horas antes do jogo, comprar seu ingresso na bilheteria normal sem superfaturamento, dar uma volta pela Boca ou por algum bairro próximo e voltar uma ou duas horas antes do jogo. Isso, claro, se tratando de um jogo sem maior relevância como esse Boca – Argentinos Juniors a que fomos.

E como esse post já tá grande demais, vamos parar por aqui.

Não sem um vídeo final pra ilustrar o espírito Xeneize:

E não sem cenas dos próximos capítulos:

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Burrice coletiva

Aparentemente, meu último texto virou uma dessas febres de internet e tem gerado um monte de comentários por aqui.

Alguns deles são sensacionais: nego me chamado de analfabeto, de criança, dizendo que isso é falsidade ideológica (esse é um gênio, nem sequer sabe o que significa o crime de falsidade ideológica).

Outro gênio disse que se um torcedor rival me parar na rua e me pedir pra olhar o RG (algo muito plausível de acontecer, em meus 15 anos de estádio vi acontecendo váááárias vezes, sabe), estarei perdido.

E teve um ainda que disse que nem o nome do time acertei. Esse precisa aprender a ler ou comprar um óculos.

Isso sem contar a conotação preconceituosa de boa parte deles, inaceitável.

Uma aula de burrice coletiva que não consegue nem tirar do texto o principal, que é o absurdo da proibição da foto.

Eu sei que a internet é free speech for the dumb a maior parte do tempo, mas aqui não vai rolar.

Por conta disso, tais comentários foram e continuarão sendo deletados.

Se você acha que o que eu fiz foi idiota, sem problemas. Se acha que a assinatura é algo assim tão sagrado e importante, vá lá tirar seu RG e faça uma bem séria.

Mas desista de comentar aqui sobre a minha porque será apagado.

Enquanto isso, eu continuarei andando pelas ruas com meu RG assinado Corinthians, minha tatuagem do Corinthians e minhas camisetas do Corinthians sem medo de ser assassinado por um torcedor rival.

Porque o dia em que eu for ter medo disso eu desisto de ser torcedor de futebol.

***

PS.: fui ao banco trocar minha assinatura. Sabe quantas vezes fui interpelado sobre a assinatura? Nenhuma. Sabe porque? Porque é um direito constitucional meu assinar como quiser. Assim como também é tirar a foto pro documento com a camisa que eu quiser, já que nenhuma lei é maior do que a Constituição. Ou seja, se eu quisesse eu ainda poderia processar o estado por tolher minha liberdade de expressão.