kadj oman

Entradas etiquetadas como ‘Corinthians’

Basílio lá em casa

Setembro 29, 2009 · Deixe um comentário

Achei a reportagem em que levaram o Basílio na minha casa. Mostram meus bichos (Preta, Branca e Boquita), falam das cinzas de meu pai que joguei no Pacaembu e depois ele aparece de surpresa lá.

Tem também um cara que tatuou o Túlio Maravilha (e levaram o Túlio no estúdio de surpresa enquanto ele tatuava) e outro que tatuou o Rogério Ceni.

E tem ainda um que ia tatuar o Fernandão mas desistiu porque ele foi pro Goiás, hahaha.

Vejam:

Categorias: Corinthians · cachorros · família · futebol · gatos · pai
Etiquetado: , , , , , ,

A Zica do Pacaembu

Setembro 22, 2009 · Deixe um comentário

Domingo, saindo do Pacaembu com uma amiga com a cabeça cheia pela goleada sofrida, coisa que há muito não via acontecer em casa, reparamos num amontoado de gente apontando pra um cantinho junto à parede. Passo olhando pra ver o que é e qual não foi minha surpresa ao constatar que havia um pequeno gato acuado junto a uma dobra no muro.

Agachei e tentei tocá-lo, mas o bichano estava com muito medo e tentava me atacar. Aos poucos, fui ganhando sua confiança, e fiquei ali uns bons 15 minutos sentado no chão fazendo-lhe carinho. Enquanto isso, esperava o estádio esvaziar e protegia o pequeno animal da curiosidade de crianças pequenas – que poderiam facilmente ter tomado uma bela unhada – e de marmanjos e donzelas que exprimiam, cada qual a seu tom de voz, “oooooooun, um gatinho”.

Uma delas, inclusive, alertou para o fato de que provavelmente era uma gatinha, uma vez que tinha três cores e machos com três cores são raríssimos. Pedi a minha amiga para encontrar uma caixa de papelão em alguma das lanchonetes do estádio e, com o Pacaembu já quase vazio, me arrisquei para pegar a gatinha pelo cangote e colocá-la na caixa.

Rumando com a bichana em direção ao último portão aberto do estádio, disse à minha amiga:

- Essa já tem nome: Zica. Tirei a Zica do Pacaembu.

Cheguei em casa com minha nova companheira e tive que trancá-la no banheiro, uma vez que não sabia a reação que teriam Branca e Boquita, as gatas, e Preta, a cachorra que já tenho por aqui. Tratei de arrumar-lhe uma caixinha com pano, comida, água e um pouco da areia das outras gatas, e fui ao computador ver se encontrava algum amigo veterinário online para umas dicas.

Nesse meio tempo, nenhum veterinário online, consegui, mesmo sem ter a intenção definida de doá-la, duas potenciais donas para a Zica. E já planejava o atraso no trabalho no dia seguinte para levá-la ao veterinário.

Só que, como todo torcedor apaixonado está cansado de saber, zica não se controla tão fácil assim.

Do quarto, ouvi um barulho na área e fui ver o que passava. Era ela.

Tinha forçado o trinco quebrado da janela do banheiro, a qual eu tinha deixado meio aberta para que entrasse ar, e fuçava pela área amedrontada pela Preta, que não queria mais do que cheirá-la, e pela novidade do lugar desconhecido.

Me aproximei e a Zica pulou na janela. Como já tenho animais em casa, entretanto, as janelas tem rede. Mas Zica é pequena e esguia e se enfiou entre o vidro e a rede propriamente dita. Tive que abrir a janela para tentar pegá-la, e com o movimento, por mais que eu tenha me esforçado em ser sutil, ela se assustou e passou a cabeça pela rede. Ao sentir-se presa, forçou o resto do corpo e foi-se telhadinho afora. Entrou pela janela do depósito da loja de peças automotivas que fica ao lado do meu prédio, a única saída possível daquele telhado.

Aborrecido, dormi mal, pensando apenas em bater na loja ao lado no dia seguinte pela manhã na esperança de reaver a Zica. Não poderia deixá-la correndo o risco de retornar às ruas – vai que ela volta pro Pacaembu…

Mas pela manhã descobri que o depósito tinha trocentas caixas e que a Zica provavelmente estaria perdida ali no meio. Deixei meu telefone e fui trabalhar. Só conseguia pensar na pobre gatinha assustada.

Quase no final do expediente, meu telefone toca e, pela primeira vez nas últimas 6 ligações, não é minha mãe: é o porteiro do prédio dizendo que encontraram a Zica, mas que esta fugiu de volta pro telhado e se enfiou numa caixa d’água abandonada.

Voei pra casa para ver aonde tinha se enfiado a gatinha e constatei que dali era impossível tirá-la. Por onde entrara não cabia um corpo humano, nem o meu, magro que sou. E me resignei a esperar que saísse, talvez retornasse à loja, e finalmente fosse capturada.

Até que a amiga que encontrou a Zica junto comigo ligou e disse que sua mãe tinha uma armadilha para gatos. Consistia numa gaiola em que jazia dependurado um pequeno gancho onde se podia prender um pedaço de carne de modo que, quando o gato o mordesse e puxasse, a gaiola se fecharia. Içei a armadilha terraço do prédio abaixo até o telhadinho e deixei ela lá.

De 17h30 até 22h ouvia a gata miar. Devo ter incomodado o porteiro pedindo para entrar no porão do prédio, onde ela dificilmente estaria mas podia estar, umas quinze vezes, e nada. De 20 em 20 minutos olhava pela janela e a carne estava lá, pendurada. Precisava me distrair.

Fui ver televisão, entoando mentalmente como se fosse escanteio para o adversário no Pacaembu:

- Sai, Zica! Sai daí!

Até que, telefone em punhos, enquanto conversava com uma amiga aniversariante*, vejo a Preta correr até a área e escuto um miado mais forte. Fui olhar e era a Zica: tinha caído na armadilha!

A fome havia vencido o medo da bichana, assim como a fé da torcida (quase)sempre vence as cabeçadas à meta de nosso arqueiro durante os jogos.

Subi com ela de volta ao banheiro e dessa vez fechei bem a janela. Não só a de lá mas todas as da casa. E tratei de alimentar a danada, que com a comida ficou um pouco menos arisca e até me deixou pegá-la no colo.

DSC04827

Ainda não sei se vou ficar com ela, vai depender da aceitação do resto da população animal que comigo habita. De certa forma seria interessante que fosse domada e por aqui ficasse. Conviver com a Zica antecipadamente seria um bom treinamento prévio para a Libertadores 2010. Mas caso não dê certo, com certeza a gatinha irá para as mãos de alguma companheira de arquibancada, das duas que já se interessaram pela bichana.

Porque com a Zica, você sabe, tem-se que ter muito cuidado.

Ainda mais às vésperas do centenário.

E ninguém melhor pra cuidar da Zica do que quem já está mais do que acostumado com isso, anos e anos fazendo parte da massa sofredora que não à toa é conhecida a todo lado por Fiel Torcida.

***

*A Zica do Pacaembu, em homenagem à aniversariante Renata, que comigo falava ao telefone quando a bichana finalmente caiu na armadilha, levará seu nome como sobrenome. De forma que nos próximos jogos, no lugar do “sai, zica!” de sempre, gritarei com toda a certeza do mundo de que a bola irá pela linha de fundo:

- Sai, Renata!

Categorias: Corinthians · centro · cidade · família · gatos
Etiquetado: , , , , ,

Presente de aniversário

Setembro 3, 2009 · 13 Comentários

Completo hoje meu primeiro aniversário órfão. Mas não, esse não será um texto lamentando isso.

Ao contrário.

Será um texto tentando aprender a lidar com isso.

Pra ajudar, como sempre, há o Corinthians.

Que completou 99 anos dois dias antes de mim e que, fazendo escadinha, teve jogo ontem em casa, contra o Santos.

Um Corinthians que não é mais o mesmo de três meses atrás, é verdade. Mas que continua tendo a mesma raça e espírito de Corinthians que o Mano Menezes recuperou desde que chegou por estes lados.

E como aniversário a gente comemora em casa e com quem se gosta, fui ao Pacaembu mais uma vez encontrar a “família”.

Dadas as circunstâncias, era um jogo diferente, pra mim. Mais inflexivo, reflexivo, contemplativo. De tal forma que não me importou muito o gol do Santos aos 5 minutos do segundo tempo. Alguma coisa me dizia que aquele jogo era meu – nosso, pai.

Aos 13, perdemos Mano, expulso por reclamação. Olhei para o banco do time mandante no Pacaembu e percebi o vazio que tomava conta daquele espaço. Em campo, o time refletia a perda, e relembrava 2007, com bicos para o alto para um desesperador Souza, jogando com seu pai internado em estado grave, tentar fazer o que até hoje não fez: resolver.

Mirei mais uma vez o banco de reservas do Corinthians e percebi uma movimentação diferente. Talvez fosse o álcool das duas latinhas de cerveja consumidas de estômago quase vazio antes do jogo, não sei. Mas o fato é que eu via subir do pequeno jardim atrás do banco uma estranha nuvem, que formava uma imagem, ainda indecifrável. Súbito, passei também a escutar uma voz familiar, gritando, esbravejando com o time. E então tudo fez sentido:

meu pai assumira o comando.

Das cinzas ali esparzidas meses atrás, erguia-se a memória de um gigante em minha vida.

Alguém que me ensinou a torcer apaixonadamente, a pular e gritar nas vitórias, mas também a aprender com o sofrimento nas derrotas.

Que me ensinou que um estádio de futebol comporta muito mais que partidas. Celebra festas, encontros, desencontros. Comemora a vida.

O Corinthians percebeu que o comando, agora, não vinha mais do banco, vinha das arquibancadas. Da história. Da mística. E a fez valer.

De virada, no finalzinho, com um gol chorado e outro improvisado – mas de uma improvisação perfeita.

Daquelas que fazia meu pai correr à janela e soltar um raro “goool!”, numa alegria meio contida, de quem sabe que festa, mesmo, só depois do apito final.

A nação alvinegra, em êxtase, explodia em mais um “parabéns pra você”.

Mas eu não conseguia me mexer.

Abraçado à bandeira, olhava para o banco. Para a história. A minha história.

Que corria alegre à minha frente, em preto e branco, desde o primeiro bolo de aniversário, com a velinha que eu quis apagar com a cabeça.

O jogo acabou, e tomei o rumo de casa. Por mais que casa, desde 25 de janeiro, nunca mais tenha significado o mesmo.

Nos arredores do Pacaembu, ao som do buzinaço alegre da família que comemorava, a voz que tantas vezes tive ao meu lado quando era difícil até mesmo respirar me dizia, tranquila:

“Parabéns”.

E me fazia adentrar meu 28º ano de vida com aquela sensação de quem sabe algo que ninguém mais pode saber, algo só seu: meu pai ganhou esse jogo pra gente.

Meu melhor presente de aniversário.

Categorias: Corinthians · família · pai
Etiquetado: , , ,

Aniversário do Mandioca vol. II – MICARETA PUNK!

Agosto 28, 2009 · 1 Comentário

Alô você!

Aqui quem vos fala é seu querido amigo Mandioca, como vai?

Cansado do trabalho? Entediado? Torcendo pra pegar uma gripe suína e ter dez dias de folga? De saco cheio mesmo?

Não fique assim, está chegando a melhor semana do ano: a semana do ANIVERSÁRIO DO MANDIOCA!

Pra quem não lembra, o Mandioca não costuma beber muito durante o ano. Sabem como é, um cara sério, honesto, trabalhador, CENTRADO NA VIDA e nas suas muuuuuuitas (ir)responsabilidades.

Mas é só chegar setembro que esse garotinho maroto se solta todinho!

E se no ano passado ele tomou AQUELE porre – se você foi, você lembra e provavelmente faz parte da comunidade do Orkut “Mandioca bêbado – eu fui!’; se não foi, pode ler e ver fotos sobre aqui: http://manihot.wordpress.com/2008/09/07/bebemoramos/ – esse ano ele promete repetir a dose em escala 7 (sete) vezes maior!

COMO ASSIM, MANDIOCA? VOCÊ VAI ENTRAR EM COMA ALCOÓLICO???

Não, gente. Lembrem-se, eu sou geógrafo, e como bom geógrafo eu sei PLANEJAR. E planejando eu descobri que eu não preciso beber só no dia do meu aniversário, eu posso estender isso por toda uma semana! Sendo assim, você terá 7 (sete) dias pra me cumprimentar, então não vai ter desculpa que cole caso isso não aconteça – até porque, como eu não sou moderno nem preibói, não marquei nada em nenhum lugar caro ou, como diria o amigo Boça, “cheio de gente que penteia o cabelo igual pêlo de cachorro”.

Então, vamos lá. Prestem atenção na agenda do Aniversário do Mandioca vol. II – A MICARETA PUNK (a.k.a. visita monitorada aos bares do centro de São Paulo):

- Na terça, dia 1º de setembro, a comemoração já começa estendida: 25 MILHÕES DE PESSOAS estarão comemorando o Dia da Criação do Mundo, a.k.a ANIVERSÁRIO DO SPORT CLUB CORINTHIANS PAULISTA. Como além de geógrafo eu sou professor (sim, eu trabalho, eu não “só” dou aula), terça estarei na USP lecionando. Finda a aula, no entanto, me encaminharei à lanchonete da FFLCH (onde se vende cerveja) e de lá pro Chivito, na Vila Madalena, pra depois ir pra onde me levarem (de preferência, pra casa, por favor).

- Na quarta, dia 02, véspera da data oficial mesmo, a comemoração ainda estará ecoando o Dia da Criação do Mundo: comparecerei ao Pacaembu para ver mais um baile doCORINTHIANS sobre o santos. Pena que o Fábio Costa não vai estar lá pro Ronaldo tirar o chapéu pra ele (ahn? ahn? sacaram?). O jogo é 21h50, mas às 21h já estarei na porta do templo orando (ou seja, bebendo).

- Na quinta, dia 03, completo 27 invernos (porque a primavera só começa dia 21 e é coisa de florzinha). E pra celebrar, estarei no bar Cuca Ideal, aquele  na Rua Augusta na frente do Ibotirama que não é o Vitrine, enchendo a cara de leve – que sexta eu trabalho E dou aula, né, gente.

- Na sexta, dia 04, DIA DE CONSOLIDAR A TRADIÇÃO: TODOS ao bar do Zé, na Vila Madalena, para RELEMBRAR os acontecimentos do ano passado, ou seja, o Mandioca caindo pelas tabelas em Pinheiros (como, repetindo, você pode ler e ver aqui: http://manihot.wordpress.com/2008/09/07/bebemoramos/).

- No sábado, dia 05, é dia de Brasil x Argentina. E como Mandioca e futebol são indissociáveis, aguardo a todos para HINCHAR pelo lado que for (confesso que estou indeciso) no The Pub, um pub (dã!) que fica na Rua Augusta e é decorado com apetrechos de Liverpool – afinal, quer lugar mais propício pra assistir football do que um pub inglês?

- No domingo, dia 06, se você pensava que não rolaria encher a cara porque afinal segunda é dia de trabalhar, LEDO ENGANO: 2009 me brindou com um feriado emendado e, sendo assim, PODEREI CONTINUAR O ESTADO DE EMBRIAGUEZ COMEÇADO NO DIA 01 (depois de almoçar com a família, claro). Para tanto, lá pelas 21h estarei no A Gruta bar, que fica ali do lado daquele Holiday Inn onde antes era o Estadão, no metrô Anhangabaú, um bar descendo as escadas ali no começo da Major Quedinho onde de domingo rola um blues ao vivo, sinuca e XADREZ – acreditem, xadrez bêbado é tão bom que deveria ser esporte olímpico.

- E no dia 07 de setembro, segunda, FERIADO, Dia da Lavadeira (só tem tanque e trouxa na rua), honrando a data, estarei no Espaço Impróprio, na Rua Dona Antônia de Queiroz, ali perto do Shopping Frei Caneca, porque afinal o Mandioca é punk e isso tem que ficar claro. Talvez a semana de comemoração termine, aliás, com um show da Fora de Jogo (a banda de punk rock’n'gol em que eu insisto em achar que canto - http://www.myspace.com/foradejogo) ali mesmo – falta convencer o resto da banda.

Então, amiguinhos e amiguinhas, reabasteçam o estoque de Engov porque a primeira semana de setembro promete!

E nem precisam se preocupar com presente: O MEU PRESENTE SÃO VOCÊS, AMIGUINHOS!

(momento emo)

Compareçam!

Segue a programação resumida dessa verdadeira Micareta Punk:

*terça – 01/09 - SALVE O CORINTHIANS! – USP – FFLCH – 20h – depois Chivito (Av. Heitor Penteado, 1565 – metrô Vila Madalena)

*quarta – 02/09 – Pacaembu – Corinthians x Santos – 21h

*quinta – 03/09 – Cuca Ideal – R. Augusta, 1216 – bar em frente ao Ibotirama – 20h

*sexta – 04/09 – Bar do Zé – Cardeal Arcoverde x Simão Álvares – 21h

*sábado – 05/09 – The Pub – Rua Augusta, 576 – com Brasil x Argentina na telinha! – 20h

*domingo – 06/09 – almoço com a família + A Gruta Bar – Major Quedinho, 112 – do lado do Holiday Inn onde antes era o Estadão, ali no metrô Anhangabaú – 20h

*segunda – 07/09 – Impróprio – Fora de Jogo? – 19h

Beijos NO CORAÇÃO,

Mandioca (ou Danilo para os menos íntimos).

P.S.: SIM, você pode levar quem você quiser. Não há intrusos no mundo do Mandioca. E chamem quem eu esqueci SEM REMORSOS.

Categorias: Corinthians · eu
Etiquetado: ,

Abraço de campeão

Maio 4, 2009 · 8 Comentários

Eu tentei, juro que tentei.

Porque pensei nisso a semana toda.
O ano todo.
Desde 25 de janeiro.
Queria um título de pulos e abraços e sorrisos.
Mas não deu.
Quando Sálvio Spínola finalmente trilou o apito final, fui às lágrimas sem contenção.
Como uma criança.
Como em 1990.
2007, Série B, meu pai, tudo junto.
Saí do estádio com dor de cabeça. Exausto.
Feliz, e ao mesmo tempo sentindo falta.
De um abraço que sempre esteve aqui com o Corinthians.
Comigo e com o Corinthians.
Um abraço eterno.
Em nossos corações, em nossos corpos, em nossas memórias.
Ali, às 18h07 de 03 de maio último, eu sabia que mais de 25 milhões de pessoas estavam em êxtase.
Que os jogadores ergueriam a taça em instantes.
Que a torcida rumaria para a Praça Campos de Bagatelle.
Mas meus olhos não conseguiam sair do banco de reservas.
O mesmo, pai, onde você descansa.
O um a mais sempre que o placar anuncia o público presente.
O um a menos sempre que há jogo. Ou vida.
Faltou pouco para que eu pulasse o alambrado…
Domingo, o Corinthians ganhou seu 26° título paulista. O primeiro que assisti de forma invicta.
Nenhuma derrota.
Domingo, eu ganhei meu primeiro título órfão.
Nenhum abraço.
E todos eles juntos.
Domingo, voltei a ser criança.
E saí correndo pelas ruas de Pirituba, gritando “é campeão, pai!”.
Somos.
Invictos… e inseparávei

Porque pensei nisso a semana toda.

O ano todo.

Desde 25 de janeiro.

Queria um título de pulos e abraços e sorrisos.

Mas não deu.

Quando Sálvio Spínola finalmente trilou o apito final, fui às lágrimas sem contenção.

Como uma criança.

Como em 1990.

2007, Série B, meu pai, tudo junto.

Saí do estádio com dor de cabeça. Exausto.

Feliz, e ao mesmo tempo sentindo falta.

De um abraço que sempre esteve aqui com o Corinthians.

Comigo e com o Corinthians.

Um abraço eterno.

Em nossos corações, em nossos corpos, em nossas memórias.

Ali, às 18h07 de 03 de maio último, eu sabia que mais de 25 milhões de pessoas estavam em êxtase.

Que os jogadores ergueriam a taça em instantes.

Que a torcida rumaria para a Praça Campos de Bagatelle.

Mas meus olhos não conseguiam sair do banco de reservas.

O mesmo, pai, onde você descansa.

O um a mais sempre que o placar anuncia o público presente.

O um a menos sempre que há jogo. Ou vida.

Faltou pouco para que eu pulasse o alambrado…

Domingo, o Corinthians ganhou seu 26° título paulista. O primeiro que assisti de forma invicta.

Nenhuma derrota.

Domingo, eu ganhei meu primeiro título órfão.

Nenhum abraço.

E todos eles juntos.

Domingo, voltei a ser criança.

E saí correndo pelas ruas de Pirituba, gritando “é campeão, pai!”.

Somos.

Invictos… e inseparáveis.

Inesgotáveis.

Como um abraço de campeão.

Categorias: Corinthians · eu · família · futebol · pai
Etiquetado: , , , ,

Eu, o RG e a TV

Abril 30, 2009 · 1 Comentário

E quando eu achava que tinha acabado a onda do RG Corinthians, recebi mais um convite:

participar do programa “Pra Você”, na TV Gazeta, segunda-feira, às 10h30, junto ao Cacá Rosset e à Andrea Pasquini (diretora do filme “Fiel”).

O tema do programa?

Corinthians, lógico. Campeão paulista, esperamos.

Assistam, gravem pra mim. É ao vivo, então a chance de falar coisas legais aumenta exponencialmente.

E vai Corinthians!

Categorias: Corinthians · esportes · eu · futebol
Etiquetado: , , ,

Você que é o Corinthians? ou O coração da metrópole

Abril 28, 2009 · 6 Comentários

Dez minutos atrás, estou almoçando pizza em pedaço.

Quase no fim do último pedaço, um gordinho de azul senta do meu lado com seu amigo e fica me encarando.

Não dou bola. Ele levanta, olha pra mim e pergunta:

- Você que é o Corinthians?

- !?!? …oi???

- O Corinthians, que passou na RedeTV?

- É… sou eu.

- Também sou Corinthians, mano!!!

O amigo não entende, ele explica baixinho:

- Ele assinou Corinthians no RG.

O amigo sorri.

Levanto, rápido, que a pizza acabou mas a vergonha não, e me vou, tomando o resto da Coca-Cola.

Não sem antes dizer:

- Domingo “é nóis”, hein?

- É nóis, família!

Somos todos Corinthians, independentemente de ter um pedaço de papel escrito isso ou não.

***

Três minutos depois, voltando ao trabalho, um moleque de rua gordinho na Conselheiro Crispiniano levanta e vem na minha direção.

Estende a mão, cara de bravo, em direção à minha Coca. Ele não tem um braço.

- Vai, mano, dá essa Coca aí.

Meio perplexo e meio puto, paro, olho nos olhos dele e digo, com aspereza:

- Vamos com calma aí? 

O  moleque meio que se assusta e se rende, quase se desculpa:

- Vamos com calma. É que eu tô na maior neurose…

- Tranquilo. O lance é ter respeito, dos dois lados. Toma aí – e dou a Coca ainda pela metade pra ele.

- Valeu.

Almoçar – e viver, e trabalhar – no centro de São Paulo é sempre imprevisível, errante, quase uma aventura.

Cheia de situações complicadas como essa.

Dá pra falar em certo e errado? Politicamente correto, incorreto? Sentir culpa, dó, qualquer merda?

Só sei que eu dei a Coca não por ele ser um moleque de rua, nem por não ter um braço. Mas porque ele topou olhar nos meus olhos e trocar idéia, mesmo que tenham sido 10 segundos de idéia.

Aqui, no coração da metrópole, a gente aprende a desentupir as artérias um pouco a cada dia.

Categorias: Corinthians · centro · cidade · cotidiano · eu · futebol
Etiquetado: , , , , , , , , ,

Sessenta

Abril 24, 2009 · 8 Comentários

Hoje meu pai completaria 60 anos.

Amanhã completam-se 3 meses de sua morte.

Hoje eu faço 60 anos.

Amanhã, 59 e 9 meses.

Noventa dias parecem pouco perto de sessenta anos.

Mas casa segundo sem meu pai é uma eternidade. 

Tanto não dito nesses três meses…

Fui pra Argentina, pai. Duas vezes.

Assinei Corinthians no RG.

Ronaldo finalmente jogou. E como jogou.

Estamos na final do Paulista.

Não jogamos mais no Morumbi, só como visitantes. E nos dão apenas 10% dos ingressos.

Estou solteiro de novo.

Tenho mais uma filha, a Boquita. Achei ela na rua.

E hoje eu me formo.

Pra lembrar de você, e de quanto de você esteve e está em minha tese.

Sinto saudades demais. 

Às vezes choro no almoço. 

Não um choro desalentador, mas um choro ao mesmo tempo doído e gostoso.

Dos chutes na janela em Pirituba.

Das idas ao terrão do Corinthians – lembra quando joguei de meia-esquerda e ganhei a camisa de melhor em campo?

Do Pacaembu – embora lá você esteja sempre que eu vou.

Do boa noite de todos os dias.

Eu poderia escrever muito mais do que as 198 páginas da minha tese, só de lembranças suas. Mas prefiro guardá-las, pra revê-las aos poucos.

A cada beijo em você no braço direito antes de cada jogo.

A cada gol sem abraços, sem telefonemas, sem “você viu, que golaço?”.

A cada dia sozinho neste mundo.

Mas, apesar das palavras tristes, não se preocupe, pai. Estou bem.

Completando alguns sonhos, destruindo alguns outros, criando outros novos. 

Importando alguns seus.

Não sei direito se você pode me ver, ouvir ou escutar. 

Mas se puder, olhe pela janela no dia 31 de dezembro.

Estarei lá, como a gente combinou e não cumpriu.

Correndo a São Silvestre.

E vou chegar ao fim. Duas vezes.

Uma por mim, e outra por você.

Porque você sempre foi minha mão, meus olhos, minhas pernas, meu sangue quando precisei.

Nada mais justo do que eu agora ser seus pulmões.

Parabéns, pai.

Nos encontramos nos sessenta.

Todo dia.

Beijos,

Dan.

***

P.S.: Lu, chorar de saudade não é vergonha alguma. Mas lembre sempre que o pai tá aí, tá aqui, tá em todo lugar. E sempre vai estar. Espero te ver em muito breve, quem sabe eu não vou pra Austrália em julho?

Te amo, irmãzona!

Categorias: Corinthians · eu · família · futebol · gatos · pai
Etiquetado: , , , , , , , ,

Ainda a assinatura-Corinthians

Março 31, 2009 · 12 Comentários

É, a história de assinar Corinthians no RG deu pano pra manga mesmo.

Virou até matéria no G1, o portal de notícias da Globo. Leiam.

Graças à Débora Miranda, corinthiana como eu e inconformada como eu com a proibição da foto com a camisa do time.

Espero que agora a cambada que achava que a história era inventada passe a acreditar que eu sou louco mesmo.

Como todo o bando.

Loucura que rendeu essas três fotos fantásticas, tiradas pra entrevista pelo Daigo Oliva, amigo são-paulino que faz ótimas fotos da comunidade punk de São Paulo e mantém o Fodido e Xerocado, foto-fanzine exatamente com essa temática.

Categorias: Corinthians · cidade · cotidiano · eu · futebol · política
Etiquetado: , , , , , ,

Crônicas portenhas – parte I

Março 31, 2009 · 4 Comentários

Voltei da terra da prata fazem uns dias já, mas só agora consegui me recompor para contar alguma coisa.

E como não dá pra ir à Argentina sem pensar em futebol, a saga começa com ele.

Então, senhoras e senhores, entra em campo a Seleção Brasileira que vai à Argentina defender as cores canarinhas.

Vamos à escalação do time.

No meio campo, organizando as jogadas com maestria, Leonor Macedo.

dsc03246

No ataque, leve, feliz e saltitante como bom bambi que é, Alejandro Cuesta.

dsc03356

Na defesa, cuidando para que o time esteja sempre seguro de sua posição (ou seja, o responsável pelos bilhetes do metrô), eu.

dsc03108

E no gol, não deixando passar desaforo nenhum, Wandeko.

dsc03172

Pois é, foram doze dias em terras hermanas. Doze dias de férias, azaração e uma galerinha da pesada aprontando muuuuita confusão… ou não.

Cerveja, isso sim, com certeza teve. Quilmes e Stella Artois de um litro mais calor: faça as contas.

E argentinos e argentinas, também, teve aos montes. Desfilando pelas ruas, uma verdadeira fashion week permanente. Haja olho azul nesse mundo. Embora parando pra pensar com calma tenha sido com eles que menos conversei – ao mesmo tempo em que quando encontrei uma argentina pra conversar… bem… maldito castellano-com-a-língua-entre-os-dentes, irresistível.

Mas o que importa é que foi divertido, um monte. Mesmo com alguns estresses. E tem tanta coisa pra contar que nem sei por onde começar… mentira, sei sim: La Bombonera.

dsc03423

O estádio do Club Atletico Boca Juniors poderia ser resumido numa Rua Javari de três andares. O que, em jogo importante com casa cheia, deve ser monumental – com perdão do trocadilho. 

Mas, sinceramente, o que eu vi naquele Boca 3 – 0 Argentinos Juniors não foi muito diferente do que vejo por aqui num Corinthians 3 – 0 Marília no Pacaembu: uma hinchada que canta o tempo todo e o resto que sobe e desce junto com o jogo.

dsc03264

E falando em Corinthians…

Parede da Bombonera

Parede da Bombonera

Fora do estádio, aí sim, outra história. Muito mais organização, ruas no entorno fechadas bem antes da hora do jogo, divisão de quem entra por qual portão sem haver tumulto, nem sequer um policial intimidador – ok, não estávamos no setor da La Doce, então isso conta – e muito comércio. O entorno do estádio do Boca é um típico lugar pra turista otário, onde você pode comprar mais caro a mesma coisa que compraria no centro de Buenos Aires três vezes mais barato. Aliás, toda Buenos Aires – capital federal – é um grande pega-turista.

Do jogo, ficaram duas impressões fortes: o respeito que se tem com o minuto de silêncio – a hinchada toda simplesmente cala por completo – e a adoração à Riquelme, preferido todo o tempo em relação ao deus maior xeneize Maradona.

Maradona, inclusive, que encontramos dando uma volta pelo Caminito, espécie de centro antigo do bairro da Boca:

dsc03405

E já que saí do estádio pra falar do Caminito, vamos a ele.

Encantador, assim posso resumi-lo.

Uma rua antiga com casinhas coloridas, muito comércio de rua, restaurantes, estatuetas (aliás, estátua é o que não falta em Buenos Aires, lado a lado com bosta de cachorro). E muita adoração ao Boca Juniors:

Por lá tiramos muitas fotos, até uma com o Cartola:

dsc03177

E encontramos um argentino que fez questão de homenagear o São Paulo (o vídeo não é nosso, mas ele fez igualzinho com a gente):

Agora, uma dica boa pra quem quer ir à Boca e à Bombonera sem se foder é chegar no estádio umas 5 horas antes do jogo, comprar seu ingresso na bilheteria normal sem superfaturamento, dar uma volta pela Boca ou por algum bairro próximo e voltar uma ou duas horas antes do jogo. Isso, claro, se tratando de um jogo sem maior relevância como esse Boca – Argentinos Juniors a que fomos.

E como esse post já tá grande demais, vamos parar por aqui.

Não sem um vídeo final pra ilustrar o espírito Xeneize:

E não sem cenas dos próximos capítulos:

dsc031352dsc031502dsc033302dsc033121

Categorias: Corinthians · amigos · cotidiano · eu · futebol · viagens
Etiquetado: , , , , , , , , ,