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Vídeos sensacionais e uma novela melhor ainda

Fora de Jogo no RS: vídeo emocionante feito pelo Davi:

Ramones assim VOCÊ NUNCA VIU:


Tá endireitando com a idade? Tome DIREITIL:


O Tigre e O Dragão + Escrava Isaura =


Mar de Paixão, uma novela de André Dahmer e Arnaldo Branco:

http://www.oesquema.com.br/mauhumor/2009/07/24/mega-teaser-multiplus.htm

Pra gringo ver

O futebol brasileiro já deu aos ingleses vários gostos e desgostos.

Agora, produziu algo por lá que eu não sei se me dá ânsia ou ataque de riso.

Vejam só:

Vagner Love vira nome de grupo de rock na Inglaterra

Impagável.

Zero zero sete

Hoje fui votar, exercer tooodo esse grandicíssimo direito democrático que foi concedido conquistado com a luta de muitos e a gloriosa e benevolente vontade do Estado.

Obrigado, Estado, obrigado.

E como as mudanças que surgirão no mundo depois das 9 pressionadas de botão que me são permitidas acontecerem serão responsabilidade minha, fui lá e fiz a minha parte.

Meu voto, minha responsabilidade, minha parte.

Tudo meu.

Engraçado… e os outros?

“Ah, pára, cada um no seu quadrado, né, Mandioca!”

“Será que você não fica feliz com nada? Pô, você já tem a dádiva da escolha! Isto é democracia!”

Legal, então eu posso escolher quem vai me estuprar? Que fantástico!

Nos tempos de papai e mamãe (sem trocadalhos) não se podia isso não.

Em compensação, papai e mamãe foram de certa forma forçados impelidos a construir o que queriam, sem a cidadania politicamente correta da votação ou de pedir ao Estado “ei, tio, posso?”.

Eles lutaram. Juntos. Por algo em comum, algo melhor pra todos. Naquela época, existiam os outros. E não só na tela de cinema quando algum filho de banqueiro queria fazer filme pra mostrar pra Europa “oh, como sofremos”.

O que eu estou dizendo, que é melhor uma sociedade autoritária pra que as pessoas se vejam inclinadas a lutar?

“É isso Mandioca, você prefere a ditadura? Queria estar em Cuba ou China? Queria ser um bárbaro árabe morando no Irã?”

Não.

Porque isso seria determinista e matemático demais (ditadura + grupos radicais = revolução) e uma interpretação deveras simplista. Sem contar que seria tomar toda revolução como uma coisa intrínseca, necessária e totalitariamente boa – alô, Revolução Francesa? Tem alguém aí? Tô ligando pra agradecer pela nova ordem burguesa das coisas… brigado, viu? Égalite, Fraternité, Liberté… de mercado.

“Caramba, nem da Revolução Francesa você gosta? Pôxa, é graças a ela que hoje a gente pode escolher, mêo!”

Uau!

Isso parece bom quando comparado ao feudalismo, à Idade Média ou aos 4354325 anos de poder de Fidel Castro né?

Lá em Cuba ninguém pode escolher entre tênis da Nike e da Adidas, que absurdo!

Já a gente aqui pode escolher. Graças à democracia.

Só não tem é dinheiro pra todo mundo comprar.

Ou melhor, a imensa maioria não tem direito dinheiro pra comprar.

Que coisa não?

Na ilha do Fidel não tem quase ninguém descalço…

“Caralho Mandioca, você quer mesmo uma ditadura né…”

Não.

Só que nem todo o azul é marinho e nem todo o vermelho come criancinha.

A ditadura cubana é um lixo.

Mas isso não faz da “democracia” brasileira (e estadunidense, argentina, uruguaia etc) algo bom.

Simplesmente porque o mundo todo vive uma ditadura bem maior e mais ampla, irrestrita.

A ditadura da mercadoria, do capital.

Tudo se vende, tudo se compra.

Ah sim, se pode votar no que se compra – “quero o Corinthians de roxo ou de branco no próximo jogo de pay-per-view que eu vou comprar por R$ 55,00?”

Desde que se compre.

Neste totalitarismo de mercado, o direito sagrado do voto nada mais é do que uma farsa.

Te forçam a “deixam” escolher, mas não te dizem que é possível ir além do escolher, criar suas próprias opções.

Te dão a tinta amarela ou a verde pra pintar sua cara, mas não dizem que se você quiser pode  pintar ela de preto.

Ou então não pintar.

E que se um grupo grande de pessoas optasse por deixar de fazer papel de palhaço não pintar as caras e passasse a juntar seus interesses pra lutar e pra criar suas próprias opções, o tal do titio Estado estaria fodido.

(Lutar, como fizeram nossos pais pra que hoje possamos sentar a nossa bunda – sozinha – na cadeira em frente ao computador e fazer um blog engraçadalho.)

Mas não.

Agradecemos todos os dias por ter internet.

Porque, como diria o Rodrigo, seria demais dividir as coisas que você já tem: cerveja, um par de tênis e o caos.

E seguimos navegando no mar da sociedade de compra e venda de informação – que é na verdade a sociedade do totalitarismo informacional.

Um lugar onde se fundamenta argumentos com o velho e bom novo e péssimo “eu li na internet”.

Onde se renega a História e se nega o conhecimento – porque você leu na internet, só você, sozinho, e a partir daí passou a ser verdade, sem a busca pela origem da informação, sua construção, seu passado; e sem a necessária etapa de transformação da informação em conhecimento que consiste em colocar a informação para o mundo e a partir daí contextualizá-la e colocá-la à prova enquanto algo capaz de explicar e ser explicada por esse mesmo mundo.

E aí, a absoluta ausência do outro e do coletivo é tão grande que um dia de votação se torna cidadania, uma enquete eletrônica se transforma em “programação interativa”.

Numa verdadeira sociedade de jornalistas (onde estão os poetas, mortos?), que votam e fazem sua parte.

É o abstrato se tornando concreto.

O sertão que já virou mar.

E já que virou mar, compareci à minha seção eleitoral de fone de ouvido, essa espécie de escafandro social que te protege da falta de lucidez alheia e do tédio do cotidiano, escutando Isis – The Red Sea, e tal qual um bom agente secreto da subversão, usei a velha e boa tática do 007.

Zero zero zero zero zero, confirma.

Zero zero, confirma.

Os sete zeros da insubmissão simbólica.

E saí de lá cantando, junto com o Neurosis:

Where are they now?
They’re gone
I saw them run,
run to the sea…

Munição sem maldição!

Pra tranquilizar todo mundo depois de umas interpretações erradas aqui da história:

- o Babette NÃO MORREU (que eu saiba), quem morreu na história foi o Róbson, amigo dele;

- NÃO É VERDADE que depois de escutar a demo ou o CD do Munição você recebe um telefonema com uma voz estranha dizendo “sete dias”;

- TAMBÉM NÃO É VERDADE que depois desses sete dias o Babette sai da TV pra te matar vestido de mulher com uma santa e uma Bíblia na mão e gritando “EU TACO FOGO!”;

- o Róbson NÃO É A LENDA-VIVA QUE PEGOU O CD DO MUNIÇÃO. Me embananei aqui com o que me contou a Ana Carol. Quem pegou o CD foi o James, e foi ele também que ofereceu abrigo pro Babette. O Róbson apenas morou com eles depois.

Ou seja, A LENDA VIVE! Ainda posso conhecê-la um dia e tirar foto junto! E pra melhorar, ela se chama JAMES!

J-A-M-E-S!

Sensacional.

Mesmo assim, fica aqui meu pesar pela morte do Róbson, que não conheci, mas que de uma forma ou de outra esteve ligado com a história do Munição.

Sem maldição.

EU TACO FOGO!

Babette diz: EU TACO FOGO!

Munição ou Maldição?

Tem ligações que a vida apronta entre as pessoas que você conhece que rendem histórias bizarras.

Hoje, uma amiga me contou o final de uma delas.

Seguinte: entre 2002 e 2004, mais ou menos, eu fui baterista de uma banda de hardcore crust chamada Munição. A banda tinha até boas idéias, mas a execução delas era bem ruinzinha. E durante sua curta existência vivemos muuuuuuitas aventuras.

Entre outras peripécias, tocamos em Curitiba (onde rasgamos uma Bíblia e quebramos a imagem de uma santa), Joinville (onde nosso vocalista tocou vestido de mulher e na platéia se ouviu a pergunta “Isso é uma mina muito feia ou um cara vestido de mina?”), Araraquara (onde roubaram parte dos nossos instrumentos enquanto discutíamos com os locais que achavam que o nosso jeito “enérgico” no palco era um desrespeito típico dos habitantes da capital para com os caipiras) e alguns lugares de São Paulo onde Judas perdeu as botas. Nosso já citado vocalista, o Babette, era (e ainda é) uma figura ímpar, quase uma caricatura, que num dos shows, sem mais nem menos, deu um beijo – de língua – em um dos guitarristas e que, em outro, após ter brigado com a namorada, tocou sem camisa com a frase “o amor não vale nada” na barriga – frase que ficou para sempre estampada ao contrário na camisa do baixista, o Davi, depois que o Babette resolveu pular, todo suado, nas costas dele.

Pois bem.

Quando decidimos terminar a banda, depois de ter lançado só uma demo muuuuuito ruim (nomeada “Demo ensaio ensaio do Demo”), resolvemos que no último show lançaríamos um CD que na verdade era um ensaio ao vivo. Intitulamos ele de D.E.U.S. (Demo Ensaio do Último Show) e fizemos pouquíssimas cópias (umas 5 ou 10, não lembro) que jogamos do palco pra galera presente no show (que desviou pra não pegá-las, lógico).

Anos depois, a banda desfeita, nosso vocalista foi morar em Assis, onde cursaria a faculdade de História da UNESP. Depois de um tempo lá, ele ficou sem casa e foi convidado por um punk para dividir apartamento. Aceitou de imediato, grato pela conhecida burrice ingênua solidariedade punk.

Chegando na casa do tal punk (cujo nome descobri hoje: Róbson), o dito cujo foi lhe mostrar os CDs que tinha, já que punk que é punk encoxa a mãe no tanque sempre tem orgulho de sua coleção de discos ruins.

Seguiu-se o seguinte diálogo (ou algo do tipo):

- Véi, escuta essa banda, é a melhor banda que eu já escutei de hardcore, as músicas são foda e as letras são fodidas!

- Sério? De onde eles são?

- De São Paulo. Mas a banda acabou, eu peguei esse CD no último show deles, só tem 5 cópias no mundo!

Babette pega o CD.

- MANO! NÃO ACREDITO!

- Que foi, véi, cê conhece eles???

- MANO! EU ERA O VOCALISTA DA BANDA!

- Ah, pára, mentira!

- EU JURO MANO! EU JURO! EU QUE FIZ TODAS ESSAS LETRAS!

Como o CD não tinha o nome dos integrantes da banda nem nada, o punk Róbson não acreditou e intimou o Babette, como todo bom punk faz. E o Babette teve que cantar junto uma ou duas músicas pro cara crer.

Só essa parte da história já é fantástica. Mas tem mais.

Hoje uma amiga minha, a Ana Carol, vem falar comigo no MSN. Diz ela:

- Mandioca, você conhece o Róbson? Um que foi falar com você na USP semana passada? Que fez História na UNESP?

- Aaaaaaah, o Róbson? O Robinho? Não. Aliás, eu nem fui na USP semana passada.

- Um que é amigo do James, que namora uma Juliana…

- Não. James pra mim é nome de mordomo e Juliana, nunca vi na feira.

- Um que pegou com vocês uma fita do Massacre [em Alphaville, outra banda em que já toquei].

- Não… que eu me lembre.

- Ele morava com um amigo seu, sei lá, em Assis, que era da banda.

- NOSSA! O BABETTE???

- Éééé, esse mesmo. Tem até uma lenda que ele pegou a fita num show de vocês e só depois conheceu o cara.

- NOSSA! Eu conheço a lenda do cara, mas não o cara! Só que a lenda certa é com um CD e a banda é o Munição!

- É isso aí, é isso aí.

- Tá, que que tem ele?

- Ele morreu sexta-feira.

- QUÊ???

- É, ele tinha vindo morar aqui com a Juliana, namorada dele, que é minha amiga. Aí na sexta eles brigaram e…

Pra encurtar a história: o cara brigou com a namorada e foi dar um rolê. Ela juntou as roupas dele num saco pra expulsar ele de casa e foi visitar o irmão. Ele voltou pra casa, não achou ela nem as roupas dele e achou que ela tinha ido pra Bauru, cidade natal dele, levar as roupas dele embora. Falou isso pra prima dela, pegou a moto pra ir atrás da mina e… morreu em um acidente na Berrini.

A família dele não deixou a mina ir nem no velório nem no enterro. 

Bizarro, simplesmente bizarro.

O Munição às vezes parece uma maldição que nunca vai nos abandonar.

Ficam aqui os pêsames pela morte de uma das maiores lendas da minha vida. 

E da vida de todos da banda.

Que descanse em paz. Provavelmente nosso maior único fã.

Hoje o blog está de luto por ele, que morreu por amor.

Amor que, longe de não valer nada, rende grandes e intermináveis histórias para a humanidade.