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Entradas do Agosto 2008

Nomeando a família

Agosto 29, 2008 · 6 Comentários

Estava eu lendo o blog da Lelê quando me deparo com ela contando a história de como foi se chamar Leonor.

Me senti em casa, claro. Afinal, a história dos nomes da família é sensacional. Tanto que eu publiquei lá um comentário tão grande que resolvi transformar em post aqui.

Aí vai:

Meu avô materno chamava Filogônio.

O paterno ninguém sabe.

E como todo mundo tá cansado de saber, nomes de avôs sempre são usados pra “homenagear” os netinhos.

Agora, imagina se me chamam Filogônio? Ou pior: como brincava a minha mãe, imagina se misturam o nome dele com o da minha avó – Ortência – e colocam Ortogônio? Minha mãe me dizia que eu ia ser Ortogônio e minha irmã Filortência.

Mas aí, o pior nem é isso.

Acontece que a minha tia, sabe, na época das crianças da família nascerem estava numas de numerologia. E nisso até as crianças da família amiga – os Martins Prado – entraram na roda.

Minha prima, a primeira, é Graziela Miê. Sim, Miê.

Eu, o próximo, deixo pro final.

O Felipe, amigo, Felipe Kaê.

Luciana, irmã, Luciana Naê.

Rafael, amigo, Rafael Iri.

E o priminho Tiago ficou Tiago Jordão.

Eu sou Danilo Heitor. Já é feio, mas poderia ser pior.

Reza a lenda que minha tia mandou um numerólogo ao quarto de minha mãe convalescente, pós-parto. O cara entrou lá, todo frio, como devem ser os “matemáticos”, e perguntou dia do nascimento, hora, etc etc.

Após, proferiu a sentença.

- Seu filho deve se chamar Rodrigo Régis.

RODRIGO RÉGIS. E o Tiririca com o “João não, mamãe” dele.

Sorte minha que dona Célia virou pro numerólogo e disse “nem louco”. E o filho da puta ainda amaldiçoou ela dizendo “então a senhora se responsabilize por tudo de ruim que acontecer a ele”. Foi devidamente expulso do quarto.

Mamãe, então, ligou pra titia, mandou-a à merda e disse que eu ia chamar Danilo e pronto. Titia reclamou que Danilo com o sobrenome daria uma combinação terrível, e mandou esperar 5 minutos.

Eis que veio o Heitor.

E desde então fez-se a sina de que eu deveria sempre me apaixonar/namorar meninas de nome duplo.

O que me fez ter certeza de que estava no caminho certo quando perguntei o nome inteiro da Camila e ela disse: Camila Yuri.

Valeu, Tia.

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Assalto no cartão

Agosto 29, 2008 · 1 Comentário

Começo este blog falando de algo que me passou minutos antes de iniciá-lo.

Acontece que morar no centro é uma experiência única.

Estou eu voltando pra casa quando, a um quarteirão do querido lar, em frente a um hotel desses Formule 1, um garoto de não mais que 20 anos, descalço, sujo, se aproxima e pede dinheiro pra comprar um marmitex.

Estou duro, de verdade. Nem metade do mês e R$ 20 na conta. Digo a ele que não tenho. Ele diz que posso pagar no cartão. Dou risada, acho que é brincadeira. Não é.

- Se a gente rouba vocês falam que a gente é mau, se a gente pede vocês não dão, né?

Tenho vontade de dizer que prefiro que ele roube. Mas não eu, alguém que tenha dinheiro. Ao invés disso, mostro minha mochila rasgada e o tênis gasto e tento argumentar que ele devia ir pedir pra quem tem grana, não pra quem tá na mesma merda que ele – OK, exagerei, mas nessas horas não se pensa muito nisso.

Ele pára no meio da faixa de pedestres, semáforo aberto, e vai embora.

Depois minha culpa cristã de ateu mal-resolvido ficou me consumindo. Mas, numa boa, pagar assalto no cartão não dá, né.

***

Depois falei com um amigo que disse que passou pela mesma coisa, o que só reforça a minha idéia de que é golpe. Menos mal, porque sempre me sinto um filho da puta negando comida pra alguém que está com fome, mesmo quando não tenho o que fazer sobre o assunto.

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